escritas e falares da nossa língua


Terça-feira, Março 13, 2012

varejo

"varejo" (nom. masc.) significa o comércio de produtos medidos com vara, ou seja, vendidos a retalho; comércio de retalho (Br.). é também a revista ou inspeção oficial de um estabelecimento de indústria ou de comércio, a fim de verificar o pagamento de direitos obrigatórios.
expressão associada: "andar ao varejo", isto é, andar a passear sem destino nem programa, andar por fora.

Sábado, Março 10, 2012

ao fim e ao cabo

a expressão "ao fim e ao cabo" constitui uma redundância para exprimir o sentido adverbial de "por fim", "finalmente", "vendo bem", "em última análise", "em conclusão"; "de qualquer modo", "de qualquer maneira". a expressão existe no Castelhano: "al fin y al cabo".

Sexta-feira, Março 09, 2012

estavareda (Pt.-n)

"estavareda" (adj.) significa "estouvado", "desastrado". é usado no norte de Portugal, onde me chamavam muito isso na minha infância.

Sábado, Março 03, 2012

água em calma (Pt., Gz. e Br.)


a expressão "água em calma" traduz a ideia de "tranquilidade", "paz interior", "imperturbabilidade".

Sexta-feira, Março 02, 2012

pequerrexinho ou pequerruchinho (Pt. e Gz.)

"pequerrexinho" (adj.), também grafável "pequerruchinho", significa "muito pequeno", "pequenininho".

marafona ou matrafona

"marafona" (nom. fem.) significa "boneca de trapos"; (fig.) "mulher ordinária"; "mulher mal arranjada"; "prostituta". "figurante masculino vestido de mulher, no Carnaval de Torres Vedras".
tem a variante "matrafona", mais próxima da etimologia, que contém a ideia de "mãe" (matr...) e a aproxima da "matrioska" russa. o facto de haver uma raiz "matr..." indica que a palavra é de origem indoeuropeia, mas não necessariamente latina. o conteúdo semântico que, por desgaste, escorrega para o tom pejorativo, indica a antiguidade da palavra.

Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012

é uma ida de Deus...


esta expressão, "é uma ida de Deus...", ouvi-a de uma doente na consulta externa, querendo significar que a distância de sua casa ao hospital era demasiado longa. significa, pois, "é muito longe", "é muito distante".

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

ver juristas a discutir Acordos Ortográficos...que mais irá acontecer?...será que a norma de 1911, adotada unilateralmente por Portugal, não terá por aí algum viciozinho jurídico que se possa aproveitar? a norma de Camões tem de certeza: é o vício da caducidade do efeito...

por mim, tenho-me esquecido sistematicamente de apreciar a questão do ponto de vista psiquiátrico. mea culpa…


sem o querer, lancei a mim mesmo o repto de analisar a questão do Acordo Ortográfico do ponto de vista da psiquiatria, sobretudo e agora a questão de se ser contra o dito Acordo. há, basicamente, cinco a seis grandes quadros que podem justificar uma tal posição, sendo certo que ninguém até agora argumentou nada que jeito tenha para se ser contra. os primeiros dois quadros clínicos caraterizam-se pela incapacidade de compreender a questão, o seu âmbito e o seu alcance. e aí entram os casos de debilidade mental congénita, de vários graus, e de demência moderada a grave. o terceiro quadro clínico diz respeito a uma intolerância perante a autoridade, no caso as Academias e o poder político. e aqui pontuam os casos de grave distúrbio da personalidade, disfarçada sob o manto das palavras "teimosia" e "obstinação". ainda dentro das personalidades desviantes, podemos considerar os dubitativos, inseguros, incapazes de decidir, sempre com um pé lá e outro cá, mas que, pelo sim pelo não, ficam no contra. o quarto quadro clínico diz respeito às fases maníacas da perturbação bipolar, durante as quais a pessoa se julga a maior, a mais sábia e a única que tem razão. e quando a mania é crónica não sai dessa postura perante o mundo e as coisas. é o único que sabe, e pronto. logo, são todos burros, dos académicos aos políticos, menos a pessoa doente, claro. e temos o quinto e sexto quadros, aqueles que mais preocupam e baralham os terapeutas. trata-se daqueles distúrbios psiquiátricos caraterizados por uma inversão da ordem natural das causas e efeitos, uma visão ptolomaica do universo, neste caso do universo da Língua, segundo a qual é o sol (o mundo) que deve girar à nossa volta e não nós (a terra) que devemos girar à volta do sol. assim sendo, segundo esta visão, tem de haver algo no mundo, neste ou qualquer outro, que tem por único lema e função fazer-nos mal, prejudicar-nos e até eliminar-nos. trata-se, já adivinharam, da visão paranóica, que pode ser irrepreensivelmente racional e aparentar uma total normalidade cognitiva (paranóia), ou, então, pejada de seres míticos, magias e conspirações, duendes, implantes de chips, extraterrestres e bruxas más (esquizofrenia).

PS: bom, é claro que uma abordagem psiquiátrica da questão tem um contra: pode ser contestada e rebatida por outro psiquiatra. mas o mesmo acontece com qualquer outra abordagem, seja ela linguística, ou jurídica, ou de qualquer outra sapiência.

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

kwanza (Ang.)


"kwanza" (nom. com.) significa "o primeiro", "no início"; "os primeiros frutos", "as primícias"; unidade monetária de Angola.

falo português, não o seu, mas o nosso, de cá...

vejo na RTP um documentário sobre a chamada "Vila Portuguesa", de Malaca. a certa altura, um entrevistado desarma o entrevistador:
- eu falo Português, não o seu, mas o nosso, o de cá...


adorei. é que muita gente pensa que o único Português é o seu.

machamba (Moç.)


"machamba" (nom. com. fem.) significa "herdade", "propriedade agrícola"; "quinta", "horta", "sítio" (Br.)

kamba (Ang.)


"kamba" (nom. neutr.) significa "amigo (a)". do Quimbundo ou Kimbundu.

o real ou o kwanza?

ao Jornal de Angola deu-lhe para botar opinião sobre a nova ortografia da Língua portuguesa, insurgindo-se contra ela, com o argumento agora muito na berra - já que cairam todos os outros: o argumento de que se trata de um negócio, melhor de um negócio nojento. brilhante! mas, ó xente:
1º - o artigo surge no contexto de um coro das bruxas, mas é só por acaso, mais nada.
2º - embora o artigo fale no septuagenário do Restello, aposto que o decrépito senhor, coitado, não tem nada que ver com o artigo.
3º - fico informado que o Museu da Ortografia, vulgo CCB, só está autorizado a usar a antiquada ortografia até ao dealbar de 2014, o que não deixa de ser uma novidade boa e curiosa.
4º - fico a saber que em Angola existe uma aversão profunda a tudo o que seja negócio, nojento ou não, e que a maioria dos angolanos não faz negócio nenhum, porque são todos muito afetivos e assim.
5º - os casos excecionais em que Angola faz negócios (petróleo, cobre, ferro, diamantes, e a compra do BPN por tuta e meia), esses não são nojentos, nem coisa parecida, e são feitos, certamente, com pessoas que seguem ou querem seguir a nova ortografia - já que aqueles que seguem a velha não fazem negócios.
6º - ele há gente que não se enxerga...

o mais curioso nesta estória do artigo do Jornal de Angola é que os angolanos usam e abusam do "k", do "w" e do "y", que agora estão consignados na nova ortografia, mas não na ortografia que o jornal diz defender. e isto, no mínimo, é cómico...
afinal de contas, quem é que quer mandar na nossa maneira de escrever: o Brasil ou Angola, o real ou o kwanza?


Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

kumbu (Ang.)


"kumbu" (nom. masc.) significa atualmente "dinheiro". é palavra oriunda do Quimbundo que, à letra, significa "vaidoso". deve ser o que parece ao angolano comum um angolano cheio de dinheiro.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

quem é o famoso especialista em Linguística?

tenho uma nova e surpreendente argumentação dos opositores à nova norma ortográfica, quando confrontados com a submissão do Acordo entre as Academias portuguesa e brasileira à votação na Assembleia da República, à aprovação em Conselho de Ministros e à promulgação pelo Presidente da República – sem dúvida um excesso de zelo democrático que não tem paralelo noutros lugares, como a Espanha e a Alemanha, só para dar estes dois exemplos.
pois esses mesmos, que não raramente falam em referendar a nova ortografia, como se o conjunto de todos os leigos fizesse um conselho de sábios, dizem agora que os deputados, ministros e presidentes das Republica não são especialistas em Linguística!
a verdade é que quem não quer aceitar uma coisa pelo seu verdadeiro e oculto motivo (xenofobia, isolacionismo, chauvinismo e antibrasileirismo primário), não a vai aceitar por argumento nenhum. mas a nova ortografia veio para ficar, quer eles queiram, quer não. a democracia é assim: as decisões democráticas aceitam-se, mesmo quando não estamos de acordo com elas. no meu caso, os exemplos em que não concordo com certas decisões democráticas são muitos, mas não vêm aqui ao caso e tenho que as aceitar.

PS: não sei muito bem o que é um especialista em Linguística. se é um académico da Academia das Ciências de Lisboa ou da Academia Brasileira de Letras, pois muito bem, é um especialista em Linguística; se por especialista em Linguística se quer dizer um professor de Português, o professor de Português não é um especialista em Linguística, é apenas um especialista no ensino da norma oficial. e é para isso que ele é pago.caso contrário comporta-se como o polícia que não aplica as leis, não multa nem prende ninguém, porque não concorda com elas. ou o instrutor de condução automóvel que ensina a andar ao contrário das regras de trânsito porque decide que não as aceita.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

chocho (Pt. e Gz. e Br.)

"chocho" (adj.) significa "caduco", "velho", "mirrado", "engelhado", "encarquilhado"; "seco", "sem miolo", "oco", "vazio"; "sem energia", "sem vitalidade", "sem graça"; "aéreo"; (nom. fem.) "vulva"; (nom. masc. gíria Pt.) "beijo".

expressão "cabeça de alho chocho": «distraído","esquecido", "que não consegue reter nada na memória».

Terça-feira, Janeiro 03, 2012

a nova ortografia da Língua Portuguesa

eu já compreendi que em questão de Acordo ortográfico, o problema não é a nova ortografia, mas sim o facto de ser um acordo entre dois países que partilham a mesma Língua. e como nós já nascemos "donos" dela, esquecendo que antes de nós estão os galegos, e connosco a partilham outros, então qualquer acordo, fosse com quem fosse, seria uma subserviência, uma queda de um pedestal imaginário. o assunto está resolvido e, felizmente, resolvido da única maneira possível: como sempre, em qualquer área normativa, através das Academias com competência para o ter feito. teria sido trágico para a Língua Portuguesa, como instrumento de comunicação e trabalho internacional, que se tivesse cedido às diatribes de quem nem sequer fez um esforço para ler o Acordo e para o compreender e conhecer. os exemplos de críticas sem fundamento e fora de propósito são mais do que a regra. a repetição de inverdades e invenções ridículas enjoa. o cheiro a aversão a tudo o que é brasileiro perpassa por todas as discussões sobre o assunto. sim, porque nós, que em tudo o mais nos consideramos inferiores aos outros, e até falamos Inglês para parecermos melhor, em matéria de Língua Portuguesa é que sabemos, nós é que falamos bem, nós é que escrevemos bem, nós é que. e se tivéssemos ficado de fora, com o nosso chauvinismo, o nosso isolacionismo e o nosso incompreensível antibrasileirismo, não seríamos, daqui a meia dúzia de anos, mais do que uns pategos dialetais a quem ninguém daria mais importância que a que se dá a um holandês ou dinamarquês ou maltês ou checo quando se exprime na sua respeitável Língua. ninguém, nem sequer aqueles falantes que, por agora, ainda se dão ao trabalho de nos seguir. porque a atração pelo gigante brasileiro é uma atração inevitável. hoje, conseguimos um acordo. amanhã, os brasileiros te-lo-iam dispensado. eles e os que hoje ainda nos seguem. passavam muito melhor sem nós do que nós sem eles. salvámos, pois, a Língua portuguesa de Portugal de desaparecer do mapa da importância internacional. estamos de parabéns.
e, pela parte que me toca, não posso esconder o orgulho de, neste assunto, ter estado sempre do lado certo.

patego (Pt. e Br.)


"patego" (n. e adj. m.) significa "lorpa", "simplório", "palerma"; "labrego", "provinciano", "campónio"; "ignorante", "pouco instruído"; "tímido" (Br.).

Sábado, Dezembro 31, 2011

anada (Gz.)


"anada" (n. fem.) significa "colheita", "total dos frutos que a terra produz num ano"; "conjunto das crias de qualquer animal que nasceram ao mesmo tempo"; "abundância", "fartura".

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

panjolinha (Gz.)

"panjolinha" (n. fem. pl.) é uma cantiga e coro popular de Natal cantada pelas ruas do lugar; vilancico de Natal que forma a letra dessa cantiga; palavra ou ação afetadamente carinhosa; modo adulador.

graf. altern.: "panxoliña".


exº de panjolinha:

"à noitinha de Nadal,
noite de grã alegria
nasceu um reisinho novo
filho da Virge Maria.

caminhando vai José,
caminhando vai Maria,
caminham para Belém
a fim de chegar com dia.

q’ando a Belém chegaram,
já toda a gente dormia,
menos um pobre porteiro
que estava na portaria.

- abre as portas, porteiro,
a José e Maria.
- estas portas nom se abrem,
até que Deus traia o dia.

estas portas nom se abrem
até que Deus traia o dia".

(grafia unificada).

janeira e janeiras (Pt. e Gz.)

"janeira" (n. fem.) é a "lua de janeiro"; "a época do cio" [dos gatos]; "génio", "feitio".
"janeiras" (n. fem. pl.): "cantigas populares cantadas pelo Ano Novo, para desejar um bom ano aos vizinhos e demais pessoas da terra" (na Galiza, as "janeiras" tamém se chamam "aninovos", "anibons" e "manueis" - neste caso porque o dia 1 de janeiro é o dia de "S. Manuel").

quer as canções de Natal, quer as janeiras e reis, fazem parte da celebração pagã (ou seja, da religiosidade natural) do solstício de inverno. é por isso mesmo que as janeiras e os reises não se cantam na igreja (salvo, no caso dos reises, em alguns eventos recentes de caráter folclórico). o seu lugar é a rua, de casa em casa. em Portugal, durante muitos séculos, as janeiras eram mal vistas pelas autoridades religiosas e civis.

nota: este post completa os de 3 e 4 de janeiro de 2009 sobre "janeiras" e "reises", respetivamente. mais uma vez se afirma que "janeiras" são uma coisa e "reises" são outra, e se referem a festividades diferentes, se bem que englobadas na mesma quadra do ano.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

seitura (Gz.)


"seitura" (nom. fem.) significa "ato ou efeito de segar", "sega"; "época de segar os cereais"; "estação dos frutos"; "tempo que perdura".

Quinta-feira, Novembro 17, 2011

sobrenomes galego-portugueses

além da toponímia comum, Galiza e Portugal partilham um sem número de sobrenomes de família. evidentemente, muitos são comuns também ao Brasil, que, aliás, partilha muitos outros sobrenomes de origem galega que não existem ou são muito pouco frequentes em Portugal.

aqui vão alguns, já mais de 385, que tentarei ir atualizando:

Abade - também grafado Abad
Abelaira
Abelheira - também grafado Abelleira.
Abelho - também grafado Abello
Aboim – também grafado Aboín e Abuín
Abrantes
Abreu
Afonso
Agra
Agrelo
Aguiar
Aldão - também grafado Aldao
Alfaiate
Álvares - também grafado Álvarez
Alvarinho – também grafado Alvariño
Alves
Amado
Amaral
Amarante
Amorim – também grafado Amorín
Andrade
Antunes - também grafado Antúnez
Araújo – também grafado Araúxo
Areal
Arroteia - também grafado Arrotea
Avelar
Azeredo - também grafado Aceredo
Azevedo - também grafado Acevedo
Bacelar - também grafado Vacelar
Baía - também grafado Bahia
Balsa
Balseiro
Baltar
Barata
Barbeito
Barbeitos
Barbosa
Barral
Barreira
Barreiro
Barreiros
Barreto
Barros
Barroso
Bastos
Batalha - também grafado Batalla
Belo - tem as variantes Bello e Velo
Beloso – ver Veloso
Bértolo
Bezerra - também grafado Becerra
Bicho
Bispo
Bogas
Bouças – também grafado Bouzas
Bouçós - também grafado Bouzós
Braga
Bugalho
Bulhosa - também grafado Boulhosa, Bullosa e Boullosa
Caamanho – também grafado Caamaño
Cabanelas
Cabeça - também grafado Cabeza
Cabral
Cadaval - também grafado Cadabal
Cadilhe - também grafado Cadille; tem a variante Cadilha/Cadilla
Caeiro
Cal
Caldas
Caminha - também grafado Camiña
Camões - também grafado Camoens
Campelos
Campos
Cancela
Câncio - também grafado Cancio
Candal
Canelas
Canossa – também grafado Canosa
Capelo
Caramelo
Cardoso - também grafado Cardozo
Caridade - também grafado Caridad
Carnoto
Carpinteiro
Carreira
Carvalheda - também grafado Carballeda
Carvalheira – também grafado Carballeira
Carvalhinho - também grafado Carballiño
Carvalho – também grafado Carballo
Casais
Casal
Casaleiro
Cascudo (Gz. e Br.)
Caseiro
Casqueiro
Castanheira - também grafado Castañeira
Castanho - também grafado Castaño
Castelão - também grafado Castelao
Casteleiro
Castelo
Castro
Catoira (Gz. e Br.)
Cavaco – também grafado Cabaco
Cavaleiro
Celeiro
Centieiro - também grafado Sentieiro
Cerejo - também grafado Cereijo
Cernadas
Cerqueira
Cesteiro
Chaves - também grafado Chávez
Cid
Coira
Conde
Cordeiro
Correia – também grafado Correa
Cortinhas
Costa, da - também grafado Dacosta
Cota - também grafado Cotta
Cotelo
Cotrim - também grafado Cutrín
Couceiro
Coutinho - também grafado Coutiño
Couto
Crespo
Cruz
Cunha, da - também grafado Cuña e Dacuña
Curto
Devesa
Direito
Domingues – também grafado Domínguez
Dourado
Durão - também grafado Durán
Eanes - também grafado Ianes
Eiras
Eiriz
Enes - também grafado Ennes
Ermida
Esteves – também grafado Estevez
Farinha - também grafado Fariña
Feijó - tem as variantes gráficas Feijóo, Feixó e Feixóo
Fernandes – também grafado Fernández
Ferreira
Ferreiro
Ferro
Feteira
Fidalgo
Figueiras
Filgueiras
Folgado
Folha - também grafado Folla
Fonseca
Fontão - também grafado Fontán e Fontao
Fonte, da
Fontela - tem a variante Fontenla
Fontes
Fontoura
Frade
Fraga
Fragata
França - também grafado Franza
Franco
Freire - também grafado Freyre
Freiria
Freitas
Freixo
Fresco
Fróis - também grafado Froiz
Gago
Gaio - também grafado Gayo
Gaioso - também grafado Gayoso
Galego
Gândara - também grafado Gándara
Gandarela
Garrido
Gato
Geada
Gil
Gomes – também grafado Gómez
Gonçalves – também grafado Gonzálvez
Gondar
Gradim - também grafado Gradín
Granha (Gz. e Br.)
Guerreiro
Guilherme - também grafado Guillerme
Guimarães - também grafado Guimaraens. tem as variantes Guimaráns e Guimarás
Guimil
Henriques – também grafado Henríquez
Igrejas - também grafado Igrexas
Janeiro
Junqueira - também grafado Xunqueira
Justo
Ladeiro
Lage – também grafado Laxe
Lago
Lagoa
Lains
Lamas
Lameiras
Landeira
Landim - também grafado Landín. Landim é variante de Nandim
Laranjeira - também grafado Laranxeira
Laranjeiro - também grafado Laranxeiro
Leitão - também grafado Leitao
Leite - também grafado Leyte
Lema (Gz. e Br.)
Lemos
Lindim - também grafado Lindín
Linhares - também grafado Liñares
Lira (Gz. e Br.)
Lobato
Lomba
Lopes – também grafado López
Lourenço - também grafado Lourenzo
Louro
Lousada
Machado
Maciel
Madeira
Magarinhos - também grafado Magariños
Maio
Malaquias
Maleiro
Malheiro - também grafado Malleiro
Maneiro (Gz. e Br.)
Mano - também grafado Manno
Manso
Marinho
Mariz
Martelo
Martinho - também grafado Martiño
Martins – também grafado Martíns
Mato
Matos - também grafado Mattos
Matoso - também grafado Mattoso
Medeiros
Meira
Meleiro
Mendes – também grafado Méndez
Mestre
Miguéis - tem as variantes Miguéns e Miguez
Milheiro
Miragaia - também grafado Miragaya
Miranda
Moinhos - também grafado Muiños
Monteiro
Montenegro
Morais- também grafado Moraes
Moreira
Mota, da
Mourinho – também grafado Mouriño
Mouzinho
Naia, da
Namorado
Nandim - também grafado Nandín
Neira
Neto
Nogueira
Nogueiro
Novo
Nóvoa
Oleiro
Oliveira – também grafado Olveira e Ulveira
Ortigueira
Osório
Outeiro
Pacheco
Pais - também grafado Páis, Páes e Páez
Palmeiro
Parada
Paredes
Pato - também grafado Patto
Paz
Pedreira (Gz. e Br.)
Pedrosa
Pego
Peixoto
Peleteiro
Pena
Penha – também grafado Peña
Penteado
Pereira
Peres – também grafado Pérez
Pico, do -
Pinheiro – também grafado Piñeiro
Pita
Poças - também grafado Pozas
Pontes
Portas
Portela
Porto
Pousada
Prado
Pratas
Prego
Preto
Puga
Queirós - também grafado Queiroz
Quinta, da - também grafado Daquinta
Quintas
Quintela
Rabelo
Rainho - também grafado Raiño
Rama
Ramalheira - também grafado Ramalleira
Ramalho - também grafado Ramallo
Ramos
Raposo
Regadas
Rego
Regueiro
Rei – também grafado Rey
Represas
Ribas
Ribeiro – também grafado Riveiro
Rigueiro
Rio
Rios - também grafado Ríos
Roçadas - também grafado Rozadas
Rocha, da - também grafado Darrocha e Darocha
Rodeiro
Rodrigues – também grafado Rodríguez
Romariz
Sá – também grafado Saa
Saavedra
Sabugueiro
Salgado
Salgueiro
Salvado
Sampaio - também grafado Sampayo
Sande
Santana
Santiago
Santos
Sapateiro - também grafado Zapateiro
Saraiva
Sardinha - também grafado Sardiña
Sarmento - tem a variante Sarmiento
Seabra
Seixas - também grafado Seijas
Senra
Sentieiro - ver Centieiro
Seoane
Sequeiros
Serém - também grafado Serén
Silva
Silveira
Sinde
Sobral
Sobrinho - também grafado Sobriño
Soeiro – também grafado Sueiro
Soutelo
Souto
Soutomaior – também grafado Soutomayor e Sottomayor
Sumavielle
Tabuada - também grafado Taboada
Tábuas - também grafado Táboas
Tato
Teixeira
Telmo
Tenreiro
Testas
Tojeiro
Tomé
Torrado
Trigo
Trigueiros
Valadares
Vale - também grafado Val
Vaqueiro - tem a variante Baqueiro
Varela
Várzea – também grafado Barcia
Vassalo - também grafado Vassallo
Vasques – também grafado Vázquez
Vaz - também grafado Baz
Veiga
Velho - também grafado Vello
Veloso – também grafado Beloso
Verde
Veríssimo - também grafado Verissimo
Viana
Vidal
Vieira
Vilaça - também grafado Villaza
Vilar
Vilares - também grafado Villares
Vilarinho – também grafado Vilariño
Vilas
Vilaverde - também grafado Villaverde


ora digam lá se não somos o mesmo povo...




nota: as grafias alternativas justificam-se por influências ortográficas diferentes, mas não traduzem diferença de pronúncia. por exemplo: Barcia e Várzea, Batalha e Batalla, França e Franza, Mouriño e Mourinho, Vázquez e Vasques, Xunqueira e Junqueira.

Quinta-feira, Novembro 03, 2011

marola (Pt., Gz. e Br.)

"marola" (nom. fem.): onda impetuosa; ondulação da superfície marítima; pequena onda do mar; (fig.) tumulto, alvoroço, turbulência; (gír. bras.) cheiro exalado pelo cigarro de canabis.



origem: a Marola é um ilhéu da costa galega, à saída da Ria de Betanços. devido às correntes que se geram em seu torno, provoca ondulação e dificuldades que os navegadores tem de superar. daí o ditado galego: "o que passou a Marola passou a mar toda", isto é, quem passou o obstáculo maior passará todos os outros.

a passagem do termo para o Brasil é boa de entender. afinal de contas, muita da marinhagem que lá aportava e muito do povoamento inicial foi feito à custa de galegos e portugueses do norte.

Sexta-feira, Outubro 28, 2011

ouça

"ouça" (nom. fem.) significa "ouvido", "orelha"; "sentido da audição".

exºs: "agarrei-o pelas ouças e ..."

"o plagiário - a quem acabo de pegar pelas ouças para colocá-lo perante o tribunal da opinião pública como ladrão que o é, e dos mais réprobos por furtar ideias (...)" (Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá).

Segunda-feira, Outubro 24, 2011

pitonho (Gz.)


"pitonho (adj.) significa "que tem muitas laganhas ou remelas nos olhos: "que vê mal", "míope"; "torto". o mesmo que "pitosga".

pouta (Pt., Gz. e Br.)

"pouta" (nom. fem.) é o mesmo que "garra", "pata de animal armada com unhas" (lobo, gato, aves de rapina); "pé de animal" (independentemente de ter casco ou unhas); "mão do homem"; "peso que amarrado a um cabo serve de âncora a pequenas embarcações" (Pt. e Gz.); "corda de embira utilizada como amarra em pequenas embarcações" (Br.); "planta parasita do codesso e urze"; nome dado a moluscos cefalópodes mais conhecidos por pota; "espargo silvestre".

variante: "poita".

Quinta-feira, Outubro 20, 2011

caçula (Pt., Gz. e Br.)

"caçula" (nom. fem.) é o "ato de secar e moer o milho e outros cereais através de duas pessoas que batem alternadamente cada uma o seu pilão"; (Gz.) "bainha da gesta, do codesso, das ervilhas, das favas, etc."; "folha do milho"; "legume".
"caçula" (nom. masc.) é "o filho mais novo", "o benjamim da casa".

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

cafajeste (Br.)

"cafajeste" (nom. masc.) é um "homem de muito baixa condição", "pessoa desqua-lificada e de péssimo comportamento", "indivíduo sem escrúpulos", "inútil".
(adj.) "que é desprezível ou de baixa condição"; "que tem um comportamento deplorável"; "sem caráter".

a palavra também é usada em Portugal, sobretudo como adjetivo, quando a situação apela ao seu uso.

Domingo, Outubro 16, 2011

renque (Pt., Gz. e Br.)


"renque" (nom. masc.) é uma série de objetos alinhados: "fileira", "alinhamento", "fila".
exº: "um renque de árvores".
também (Gz.): "ódio", "inimizade", "rancor", "antipatia", "genreira".

Domingo, Outubro 09, 2011

ter as costas quentes (Pt. e Br.)

a expressão "ter as costas quentes" significa "estar bem protegido", "ter bons padrinhos", "estar bem relacionado com os poderes".

ter as costas largas (Pt. e Br.)


a expressão "ter as costas largas" significa "ser a pessoa indicada para arcar com as culpas". origem: quem tem costas largas pode carregar muita coisa...

Sábado, Outubro 08, 2011

solaz (Pt., Gz. e Br.)

"solaz" (n. m.) significa "distração", "recreio"; "consolo", "conforto", "lenitivo"; "ânimo", "prazer", "energia anímica"; "jeito", "queda para", "inclinação para", "habilidade".

expressões associadas: "não tenho solaz": não tenho ânimo.

Quinta-feira, Outubro 06, 2011

angueira (Pt. e Gz.)

"angueira" (n. f.) significa "afazer", "obrigações, cuidados e negócios de cada um"; "serviço que o vassalo prestava ao senhor em animais de carga ou de tiro, carros ou trabalho pessoal.

(n. f. pl.) (Gz.) significa também "trabalhos", "cargas", "canseiras", "sofrimentos".

toponímia: é o nome de um rio internacional, afluente do Sabor, que nasce perto de Alcanizes; é o nome de uma freguesia do concelho de Vimioso; é o nome da freguesia do concelho de Miranda do Douro, São Martinho de Angueira, onde desagua o rio do mesmo nome; aparece em Angueira de Suso e Angueira do Castro, na Escravitude, perto do Padróm, Corunha. nestes casos, "Angueira" é um hidrónimo ou associado, onde está presente a raiz "ank-", "ang-", "anç-", "ant-" (Alenquer, Ancão, Ançã, Âncora, Anços, Antuã,...).

Domingo, Outubro 02, 2011

anjinho (Pt. e Br.)

"anjinho" (n. masc.) é o diminutivo de "anjo"; "criança que morreu"; "criança pequena"; "criança amorosa"; "criança que vai vestida de anjo ou de santo nas procissões".
(adj.) indivíduo que é ou se faz de inocente.


expressão associada: "ir para os anjinhos": morrer.

larpeiro (Pt-n e Gz.)

"larpeiro" (adj.) é o mesmo que "comilão", "aquele que gosta de comer", "lambaceiro" (Gz.). "gastrónomo". diz-se daquele que gosta de patuscadas. aplica-se também a quem gosta de desfrutar das coisas boas da vida.

variante: "larpão".

Sexta-feira, Setembro 30, 2011

ao deus dará (Pt., Gz. e Br.)

esta expressão (loc.), habitualmente sob a forma "andar ao deus dará", significa [andar] "à sorte", "ao acaso", "sem rumo", "à toa", "à gandaia", "à ventura", "ao abandono"; "sem juízo", "à solta"; "sem controle", "sem lei".

Quarta-feira, Setembro 28, 2011

espírito santo de orelha (Pt. e Br.)

a expressão "espírito santo de orelha" refere-se à inspiração de última hora, segredada por alguém, sobre uma matéria ou temática em que se é ignorante ou à qual se é estranho. é mais frequentemente usada para descrever a situação em que alguém, com ajuda murmurada por outrem, responde certo num exame a uma questão na qual é totalmente ignorante.

Terça-feira, Setembro 27, 2011

ovelha ranhosa

sempre ouvi dizer "ovelha ranhosa". só ouvi, isto é, só li, "ovelha ronhosa" nos escritos recentes de certos linguistas. uma "ovelha ranhosa", que tem ranho, é uma ovelha que não agrada às outras, enquanto que uma "ovelha ronhosa", que tem ronha ou sarna, se existir, será uma ovelha que não agrada a si mesma, que precisa é de se coçar. ver ronha.

ora, a expressão "ovelha ranhosa" aplica-se a quem está fora do comportamento ou das opiniões esperados para a sua condição, classe ou estatuto, alguém que não inspira consenso entre os seus pares, pessoa evitada pelos outros. o mesmo que "ovelha negra", aquela que, segundo a opinião do grupo, se destaca negativamente das outras.

Domingo, Setembro 25, 2011

santinho!

"santinho!" é uma interjeição que se usa quando alguém espirra. é geralmente tida como um voto equivalente a "saúde!" ou "viva!", em solidariedade com a pessoa que espirra. no entanto, se é fácil entender que "saúde!" e "viva!" são votos que se dirigem a quem espirra, "santinho!" parece mais enigmático. mas, se percebermos que o mundo rural arcaico, de onde a interjeição provém, estava povoado de espíritos, uns fora das pessoas, no meio ambiente, nas plantas, nos rios, nas fontes, nos montes, nos animais, e outros dentro das pessoas, e que os espíritos podem ser bons ou maus espíritos, logo entendemos que a interjeição é um cumprimento, quiçá um voto, dirigido ao espírito que sai com o espirro. assim, quando dizemos "santinho!", cumprimentamos o espírito expulso, ou desejamos ardentemente que, espírito por espírito, seja dos santinhos e não dos maus.
e, sendo assim, é descabida a questão de se saber se a interjeição se modifica de acordo com o género da pessoa que espirra. espírito é masculino e pronto.

Terça-feira, Setembro 13, 2011

fraldiqueira (Pt., Gz. e Br.)

"fraldiqueira" (subst. fem.) significa "algibeira", "pequena bolsa em forma de saquinho que as mulheres das aldeias prendem à cintura, em geral por debaixo dos vestidos". também: "mulher mal ataviada" (por contraste com as senhoras da cidade?); "coscuvilheira" (porque as mulheres da aldeia gostam de conversar sobre a vida alheia?).

Segunda-feira, Setembro 12, 2011

perder a tramontana

esta curiosa expressão popular portuguesa nortenha remete-nos para a significação de "tramontana" ou "trasmontana". refere-se às regiões do "tramonte" ou "trasmonte", que significa "por do sol", "ocidente". ainda hoje, em italiano, "tramonto" significa "por do sol". assim, "perder a tramontana" significa "perder o juizo", "perder a capacidade de se orientar" (no caso, "ocidentar"...).

Terça-feira, Setembro 06, 2011

pentear macacos (Pt. e Br.)


a expressão completa é "vai pentear macacos" ou "vá pentear macacos" e manifesta desagrado ou incómodo. significa o mesmo que "para(e) de incomodar", "para(e) de aborrecer", "vá(i) à fava", "desaparece(ça) da minha vista".

Quinta-feira, Agosto 25, 2011

crecho (Gz.)


"crecho" (adj.) significa "crespo", "riço"; "rijo", "teso"; "áspero"; "endireitado", "erguido"; "orgulhoso", "presunçoso", "vaidoso"; "altivo"; "rapaz vivaço, arrebitado, esperto".


Segunda-feira, Agosto 22, 2011

cutucar (Br.)

"cutucar" (verb.) é "chamar a atenção de alguém tocando-lhe com as mãos, os pés, os cotovelos, os dedos, os ombros, etc"; "mexer am algo com os dedos"; "meter o dedo no nariz, ou na boca". fig.: "dar um toque" (facebook); "desafiar",
"provocar".




provérbio relacionado: "não se cutuca a onça com vara curta". quer dizer, não se deve abusar da sorte, colocar-se em situação de risco excessivo.

Quarta-feira, Julho 27, 2011

rafeiro (Pt. e Gz.)

"rafeiro" (subst. e adj.) é um "cão sem raça definida, resultante de múltiplas mestiçagens, habitualmente sem dono", "vira-lata" (Br.) ; "classe de cão que serve para guardar gado" (Gz.); "tipo de cão alentejano, grande e possante, que serve para guardar gado (rafeiro do Alentejo)"; (fig.) "pessoa de má índole, inoportuna e bajuladora"; (fig.) "termo carinhoso com que às vezes se designa uma criança carente de afeto".

Segunda-feira, Julho 25, 2011

aledar (Pt., Gz. e Br.)


"aledar" significa "causar alegria"; "ficar risonho"; "alegrar-se", "sentir-se ledo", "sentir-se contente" (Gz. e Br.).

nota: hoje mais usado na Galiza.








"aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.

ela só, quando amena e marchetada
saía,dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de umha outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

ela só viu as lágrimas em fio,
de que uns e outros olhos derivadas
se acrescentaram em grande e largo rio.

ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas".

(Luís Vaz de Camões)

Domingo, Julho 24, 2011

ateigar (Pt., Gz. e Br.)

"ateigar" (verb.) significa "encher completamente e bem apertado"; "encher-se", "atestar-se", "abarrotar-se" (Gz. e Br.); "avaliar a olho o que um campo pode produzir" (Pt. e Br.); "encher", "empanzinar" (Pt.); (fig.) "informar maliciosamente alguém em relação factos de outrem ou a algo" (ex.º: ateigou-lhes os ouvidos" (Gz.), isto é, "encheu-lhe os ouvidos" (Pt.), "cansar, fartar" (ex.º: "ateigou-o com queixinhas") (Gz.); "medir com teiga" (Pt., Gz. e Br.).

nota: "teiga" é (era) uma cesta de palha com que se media os cereais.

Sexta-feira, Julho 15, 2011

jacó (Pt. - Coimbr.)


"jacó" (subst.) é um coimbrismo. significa "caixote do lixo".

nota: a sua etimologia é desconhecida, provavelmente arbitrária, se tiver origem na gíria estudantil. no entanto, já ouvi esta palavra em gente que mora em Lisboa, se bem que de origem beirã ou, talvez, com estudos em Coimbra.


(posso admitir, como mera possibilidade, que venha de "saco", por arremedo trocista dos estudantes em relação a alguém (uma criada ou governanta) com pronúncia beirã muito vincada...)

lunático (Pt., Gz. e Br.)

“lunático” (adj.) é “aquele que é influenciado pela lua”, “aquele que tem um caráter muito variável”, “aquele que tem manias ou caprichos”; “caprichoso”, “aluado”, “fantástico”, “insensato”; “maniento”, “maníaco”, “excêntrico”,”visionário”. por ext.: “doido”, “louco”.

macambúzio (Pt. e Br.)


"macambúzio" (adj.) é o mesmo que "melancólico", "triste", "sorumbático", "embezerrado", "taciturno"; "carrancudo";
"pessimista"; hipocondríaco".

chiça (Pt)

"chiça" (interj.) é uma interjeição que denota espanto, irritação, impaciência, desprezo, repulsa ou repúdio, mais afirmativa que "arre", "apre" e "irra".

nota: o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (12 vol.), adverte: "é termo grosseiro". chiça!

Quinta-feira, Julho 14, 2011

urubu (Pt, Gz. e Br.)

"urubu" (subst.) é uma ave de rapina, semelhante ao abutre, do tamanho do peru, comum na América tropical. é preto, com pés avermelhados, pescoço e cabeça azulados, alimentando-se de animais mortos e imundícies. o urubu-rei é também chamado "papa defuntos"; (fig.) "qualquer imagem ou pormenor indesejado que fica numa fotografia"; (fig.) "pessoa feia e de mau agoiro".


do Tupi-Guarani.

sururu (Pt. e Br.)

"sururu" (subst.) significa "desordem", "confusão barulhenta", "alarido", "pequena briga sem grandes consequências"; "caranguejo preto dos mangues de Alagoas, de carne muito apreciada. como vive amontoado no meio de muitos outros da mesma espécie, dá a impressão de estar em permanente briga"; "espécie de molusco bivalve semelhante a ostra" (Br. Nordeste); "órgão genital da mulher (Br. Alagoas).

do Tupi-Guarani.

Quarta-feira, Julho 13, 2011

dreda (Ang.)

"dreda" (adj.) significa "fixe", "legal" (Br.), "o máximo" ; (subst.) significa "alguém que está em evidência, em alta, em destaque"; "tipo", "compincha", "cara" (Br.).

do Ingl. "dread", forma de tratar, pentear e exibir a cabeleira adotada pelos rastafarianos, que, por razões religiosas, não cortam o cabelo. passou depois a significar orgulho étnico. o mesmo se passa com os Sikhs da Índia e do Paquistão, mas estes cobrem os longuíssimos dreads com um turbante.

expressão relacionada: "é dreda ser angolano" - título de um documentário.

Segunda-feira, Julho 11, 2011

"bué de", "bueda" (coloq. Pt. e Br.)


"bué de" e variantes "boé", "bueda", "bué da" (adv.) significa "muito".

origem Ang., através do Fr. "beaucoup de"?

avondo (Pt. e Gz.)

"avondo" (subst.) significa "abundância", "muito", "grande quantidade".
"avondo" (adv.) é o mesmo que "em abundância", "bastante", "suficiente", "de sobra".

expressão associada: "de avondo": "que abunda muito", "que há de sobra", "que há para dar e vender".

Sábado, Julho 09, 2011

cavaquear (Pt., Gz. e Br.)

"cavaquear" (verb. i.) significa "estar ao cavaco", "conversar à toa", "conversar familiarmente", "conversar despretensiosamente, em intimidade"; "irritar-se com alguma brincadeira ou indelicadeza" (Br.); "dar o cavaco" (Br.).