Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
Sábado, Novembro 14, 2009
Sábado, Outubro 31, 2009
treta (Pt. e Gz.)
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Domingo, Outubro 18, 2009
Segunda-feira, Outubro 12, 2009
choio (Gz.)
Domingo, Outubro 11, 2009
Sábado, Outubro 10, 2009
Sábado, Setembro 26, 2009
reixa
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
Sexta-feira, Setembro 04, 2009
Segunda-feira, Agosto 31, 2009
Domingo, Agosto 30, 2009
canle (Gz.)
mália (Gz.)
ver Comentº.
Sábado, Agosto 29, 2009
pronome de solidariedade
não utilização nom altera o sentido racional da frase. exº: "é-che bem certo!"
Quarta-feira, Agosto 26, 2009
eiva (Gz.e Br.)
derivados (tamém Pt.): "eivado", "eivar".
valeiro (Gz.)
em Portugal e no Brasil usa-se geralmente como substantivo: "pequeno vale profundo, habitualmente com muitas árvores". também (Pt.): "valeta".
Segunda-feira, Agosto 24, 2009
Sábado, Agosto 22, 2009
Sexta-feira, Agosto 21, 2009
moreia
"moreia" (subst. fem.) é o mesmo que "montão de coisas": montão ou acumulação de coisas sem ordenação especial; molho de trigo ou de outro cereal colocado na terra, em pé, com as espigas para cima; meda; a parte do eixo do carro-de-bois que roçando nos suportes produz o canto do carro; peixe teleósteo, anguiliforme, comestível; ajuntamento das pedras e detritos arrastados pelos glaciares (imagem).Domingo, Agosto 16, 2009
Sexta-feira, Agosto 14, 2009
carroucha (Gz.)
"carroucha" (subst. fem.) é "carapaça", "casca" e, por extensão, um animal com carapaça, habitualmente inseto. é: "carocha", "barata", "vaca-loura", "joaninha"; é tamém uma árvore cascuda, como o "carvalho-roble"; a cabeça do polvo.carinhosamente, é usada como forma de tratamento das crianças (carroucha é o mesmo que carocha, carochinha).
Terça-feira, Agosto 11, 2009
Terça-feira, Julho 28, 2009
acougar (Gz.)
Quarta-feira, Julho 22, 2009
crego (Gz.)
"crego" (subst.) deriva de "clérigo". significa "padre", "sacerdote (da Igreja Católica)".os dicionaristas portugueses registam "crelgo" e créligo". como derivados registam "crega", para "filha de padre", e "créliga" para "religiosa", "freira" ou "monja". da banda galega regista-se "cregote", diminutivo depreciativo de "crego", o mesmo que "padreco".
imagem: www.pintoresgalegos.com
Segunda-feira, Julho 20, 2009
e a noite gira, edoi lelia doura
“e a noite gira...” (*)
(Pedro Eanes Solaz)
eu velida nom dormia
lelia doura
e meu amigo venia
edoi lelia doura
nom dormia e cuidava
lelia doura
e meu amigo chegava,
edoi lelia doura
e meu amigo venia,
lelia doura
e d'amor tam bem dizia
edoi lelia doura
e meu amigo chegava,
lelia doura
e d'amor tam bem cantava
edoi lelia doura
muito desejei amigo,
lelia doura
que vos tevesse comigo,
edoi lelia doura
muito desejei amado,
lelia doura
que vos tevesse a meu lado
edoi lelia doura
leli, leli, par deus, leli
lelia doura,
bem sei eu que nom diz leli,
edoi lelia doura
bem sei eu quem nom diz leli,
lelia doura
demo x'é quem nom diz lelia,
edoi lelia doura
polo jeito, polo ritmo e polo refrão, faz lembrar üa cantiga de bailar. e será, pois diz-se que era cantada por üa soldadeira a um senhor mourisco.
graças a Graça Videira Lopes é possível traduzir o estribilho por "a noite roda" ou "a noite gira". do árabe.
Sábado, Julho 18, 2009
para inglês ver (Pt. e Br.)
"para inglês ver" é uma forma forma de retranca, uma arma dos que nom tenhem mais que jogar à cabeça de quem manda.
Sexta-feira, Julho 17, 2009
retranqueiro (Gz. e Br.)
retranca (2) (Pt., Gz. e Br.)
ver "retranca" (1) - postagem de 1 de setembro de 2008.
Terça-feira, Julho 14, 2009
taipa (Pt., Gz. e Br.)
"taipa" (subst. fem.), do lat. vulg. tapia, é uma parede de barro misturado com pedrinhas, batido a malho ou pilão, apertado entre tábuas ou barrotes cruzados por fasquias com fiadas de tijolo ou de pedra entre a massa de barro, utilizada em casa de construção e depois rebocada e caiada, se for caso disso; adobe; tabique, taipal, tapume.imagem: www.arq.ufsc.br
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Segunda-feira, Julho 06, 2009
caletre (Gz.)
Sábado, Junho 27, 2009
Quarta-feira, Junho 24, 2009
lareira (Pt., Gz. e Br.)
do lat. lares, as almas ou espíritos dos antepassados da família."lareira" (subst. fem.) era a pedra sobre a qual se mantinha permanentemente aceso e limpo o fogo sagrado em honra dos antergos.
assim, a "lareira" tamém se chama "lar", "fogo", "fogão" ou "borralha".
símbolo por excelência da célula familiar, ou seja do "lar" ou casa, costuma-se dizer que uma terra tem 100 "fogos", por exemplo, querendo com isso indicar-se que tem 100 casas ou famílias.
à lareira se contavam as histórias de encantar e se estabelecia a ponte geracional entre avós e netos.
hoje em dia, as lareiras estão transformadas em meros elementos decorativos, se função nem simbolismo.
curioso o retorno da palavra "lar" à sua ligação com os nossos maiores, sob a forma de "lares da terceira idade".
Terça-feira, Junho 23, 2009
janela (Pt., Gz. e Br.)
"janela" (subst. fem.) é o diminutivo do lat. jana, que significa "porta", "passagem". é o mesmo que "portinha".estas diferenças testemunham tamém as variações do conceito, arquitetura e função das casas ao longo dos tempos e das geografias. a nós tocou-nos em sorte o conceito de "passagem", de abertura por onde se entra ou sai.
pela janela entram os sons do mundo e as vibrações da natureza.
Quarta-feira, Junho 17, 2009
desleigado (Gz. e Br.)
"desleigado" (adj.) significa "desleal", "infiel"; "ingrato", "que esquece os favores recebidos"; "renegado", "desnaturado"; "esquecido", "desinteressado", "alheio", "apático" (Br.).imagem e contexto: aqui
choiar (Gz.)

"choiar" (verb.) significa "trabalhar", "laborar"; desenvolver qualquer tarefa marinheira.
fonte: Dicionário Estraviz
Quarta-feira, Junho 10, 2009
rebaldaria (Pt. e Br.)
é, pois, um testemunho linguístico das diferenças de lei e de ordem entre as al-medinas e os arrabaldes, entre viver dentro ou fora das muralhas.
Sexta-feira, Maio 29, 2009
ridículo (Pt., Gz. e Br.)
o ridículo usa-se como arma de combate ideológico, escarnecendo do adversário ou inimigo para fazer crer que tudo o que ele diz ou pensa ou faz é ridículo. e com isso se poupa tempo e feitio em discussões e debates, em filosofias a gosto e argumentos inúteis. pode ampliar-se o uso do ridículo dizendo que determinada ação, opinião ou atitude não pode ser ridicularizada porque já de si é ridícula.
ridículo é qualquer chefe ou estadista deposto ou em vias de o ser, desde que não tenha potencial para mártir ou herói.
ridícula é toda a intimidade exposta ou vista pelo olhar dos outros.
já dizia Fernando Pessoa (melhor, Álvaro de Campos),
as cartas de amor são ridículas:
todas as cartas de amor são
ridículas.
não seriam cartas de amor se não fossem
ridículas.
também escrevi em meu tempo cartas de amor,
como as outras,
ridículas.
as cartas de amor, se há amor,
têm de ser
ridículas.
mas, afinal,
só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
é que são
ridículas.
quem me dera no tempo em que escrevia
sem dar por isso
cartas de amor
ridículas.
a verdade é que hoje
as minhas memórias
dessas cartas de amor
é que são
ridículas.
(todas as palavras esdrúxulas,
como os sentimentos esdrúxulos,
são naturalmente
ridículas).
Sábado, Maio 23, 2009
barriga cheia, companhia desfeita
há certos simpósios científicos em que é servido almoço ou jantar de graça (*), enquanto desfila um naipe de sumidades e respetivo repertório. uma hora antes já tem fila de hora e meia, como se fora haver entrada livre para concerto dos Rolling Stones. mas, depois, a coisa fia de outro modo: a meio da sessão, comida a sobremesa, o pessoal esquece ao que foi e começa a debandada. porque barriga cheia não escuta ciência.sobre "barriga cheia" há uma série de expressões que vale a pena registar:
barriga cheia, feijão tem bicho (Br.)
barriga cheia, goiabada tem mofo (Br.)
chorar de barriga cheia
........................................
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Sexta-feira, Maio 01, 2009
maias, maios (Pt., Gz.)
festa antiquíssima, o maio celebra o fim do inverno e a sagração da primavera.assim, um dos costumes associados aos maios ou maias é o de comer castanhas guardadas de propósito para este dia.
e com isso a castanha se associa ao início e ao fim do inverno.
dos costumes constava tamém, nuns lados, uma boneca de palha de centeio, em torno do qual se dançava toda a noite de 30 de abril para 1 de maio; noutros locais, uma menina de vestido branco coroada com flores e sentada num trono florido era prendada todo o dia com danças e cantares.
por detrás destas meninas, de palha ou de carne e osso, estava o costume, mais antigo, de levar as virgens ao bosque num ritual orgíaco - com o que se reverenciava a fertilidade e a vida.
a cristianização dos maios foi lenta e difícil, representada por inúmeras lendas que tentam explicar o costume e por disposições contraditórias das autoridades.
assim, por exemplo, no séc. VI, o papa Gregório Magno aconselhava algumas concessões ao paganismo: "não suprimais os festejos que aquelas gentes celebram nos sacrifícios que oferecem aos seus deuses; transladai essas festas para as efemérides dos santos mártires, a fim de que, conservando algumas grosserias e loucuras da idolatria, se predisponham de mais boa mente a apreciar as alegrias espirituais da fé cristã".
mas em Lisboa, uma Carta Régia de 14 de agosto de 1402, determinava aos juízes e à câmara que "impusessem as maiores penalidades a quem cantasse maias ou janeiras e outras coisas contra a lei de Deus".
apesar da quase completa destruição dos valores labregos nos tempos que correm, ainda é possível observar ramos de giestas em flor, ou coroas de giestas com outras flores e enfeites, nas portas e janelas das casas ou nos carros, na noite de 30 de abril para 1 de maio.
a industrialização viria a substituir a festa das maias, ou dos maios, pelo dia do trabalhador assalariado. e tamém esta festa foi alvo de uma tentativa de cristianização já decadente, sob a invocação de São José operário.
Quarta-feira, Abril 29, 2009
frio
uma friage do demo. vim até aqui ver Estocolmo sem neve.ora parece primavera ora quem dera.
a luz a meio pau, nom chega lá em cima, como na minha terra.
estou farto. terra sem calor e sem luz por cima nom me agarra.
fico cos postais, pra ver depois. na praia, com um gelado na boca.
talvez então me saiba bem o frio.
Terça-feira, Abril 21, 2009
Domingo, Abril 19, 2009
estar à pinha (Pt.)
a expressão "estar à pinha" aplica-se a um lugar, espaço público ou sala sobrelotados, apinhados de gente, cheios que nem um ovo, por vezes com gente que deseja entrar mas não pode, porque já não cabe.assim, enquanto uns "estão às moscas", outros há que "estão à pinha".
assim sucede com este blogue: uns dias está à pinha, outros dias está às moscas.
Sábado, Abril 18, 2009
Quinta-feira, Abril 16, 2009
trocar
expressões associadas:
"trocar o certo pelo incerto"
"trocar as voltas": confundir
"trocar as bolas" (Br.): confundir. ver Comentº de Lengo d'Noronha
Quarta-feira, Abril 08, 2009
o lobo no refraneiro galego-português e brasileiro
a fome faz o lobo sair do mato (Br.)a mulher e a loba do mais feio se namoram (Gz.)
burro de moitos, comem-no os lobos (Gz.)
cair na boca do lobo (Pt., Gz. e Br.)
cando o lobo vai roubar, longe das casas vai-no buscar (Gz.)
come o lobo de toda a carne, menos da sua, que a lambe (Gz.)
cousa de moitos comem-na os lobos (Gz.)
dous lobos a um cám ben' o comerám (Gz.)
fai-te ovelha e comerá-te o lobo (Gz.)
fazer do lobo guardador de ovelhas (Br.)
lobo famento nom tem assento (Pt. e Gz.).
lobo não come lobo (Pt., Gz.)
meter-se na boca do lobo (Pt.)
o lobo perde o pêlo mas não a manha (Pt., Gz. e Br.)
onde o lobo busca um cordeiro acha outro (Pt. e Gz.)
ovelha de moitos comem-na os lobos (Gz.)
vaca de moitos, comem-na os lobos (Gz.)
filho de lobo lobinho é (Gz.)
quem não quer ser lobo não lhe veste a pele (Pt.)
lobo na pele de cordeiro
conta-se que, certo dia, o lobo se disfarçou com uma pele de cordeiro e assim conseguiu infiltrar-se no rebanho de ovelhas, fazendo-se passar por uma delas na aparência e no jeito de proceder. nessa situação, foi devorando tranquilamente, uma a uma, sem grande esforço.imagem: www.umpensador.com.br
Terça-feira, Abril 07, 2009
Segunda-feira, Abril 06, 2009
o capuchinho vermelho
capuchinho vermelho, chapeuzinho vermelho ou caperuzita é um conto de hoje: o pai ausente e a mãe negligente e descuidada, que manda a filhota sozinha por caminhos perigosos e sombrios.e, no fim, as armas resolvem.
bom, mas esta versão é o fim!
os três porquinhos (Gz.)
desfrutem esta deliciosa versão do conto d' Os Três Porquinhos.
imagem: www.eb1-ferreiros-dao.rcts.pt
"...e colorim, colorado, este conto está rematado..."
Domingo, Abril 05, 2009
chus
"chus" (adv.) significa "mais". do lat. "plus".
chusma
exº: "uma chusma de livros", "uma chusma de gente".
do greg. kéleusma
Sexta-feira, Abril 03, 2009
mulheres e flores
os homes, a acreditar no que oiço pola boca delas, era todos atados num molho e botados do Fisterra ó mar. marido morto, marido santo.
cousas de homes e mulheres.
Açucena
Amarílis
Camélia
Dafne ou Daphne - da flor do louro (do Grego). usado no Brasil.
Dália
Flor
Flora
Florbela - de "flor"+"bela"
Florência - o mesmo que "florescência"
Florinda
Gardénia - usado no Brasil
Glicínia
Guida (Pt.) - hipocorístico de Margarida
Hortense - o mesmo que Hortênsia
Hortênsia
Íris
Jacinta - femin. de "jacinto"
Laura - da flor do louro
Liliana - da flor do lírio
Magnólia - mais usado no Brasil
Margarida
Narcisa - femin. de "narciso"
Orquídia
Petúnia
Rita - hipocorístico de Margherita (It.)
Rosa
Violeta
Zínia
imagem: glauberataide.blogspot.com
Segunda-feira, Março 16, 2009
Terça-feira, Março 10, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
Domingo, Janeiro 04, 2009
reis, reises ou reisadas
diz por aí boa gente que "janeiras" e "reis" são a mesma cousa. até já tenho lido que as "janeiras" são mais portuguesas e as "reisadas" mais galegas. não concordo nem com uma nem outra cousa. janeiras e reisadas há-as em Portugal, por vezes na mesma terra. na Galiza conheço ambas tamém.e se, aparentemente, têm ingredientes comuns, desde logo o seu caráter sociabilizador e brincalhão, o apelo à generosidade do ouvinte e um certo fito interesseiro, a verdade é que nas "janeiras" não se fala de "reis" nem do "menino", nem do presépio ou lapinha.
uma das possibilidades de explicação é conceder às janeiras a primazia em antiguidade e um cunho eminentemente "pagão", o mesmo é dizer, admitir que os "reis", "reises" ou "reisadas" são a forma "cristianizada" das "janeiras".
Vila Flor (Trás-os-Montes):
nós somos pastores da serra,
nós cantamos com amor,
queremos dar Boas Festas
ó povo de Vila Flor.
os três Reis do Oriente
já chegaram a Belém,
foram lá cantar os Reis
e nós cantamos tamém.
estes Reis que aqui cantamos
não são pagos com dinheiro:
são pagos com vinho fino
e chouriços do fumeiro.
Madeira:
viemos cantar os Reis
a casa desta vizinha,
faz favor de abrir a porta
queremos ver a lapinha
e vós bem sabíeis e vós bem sabeis
que no dia de hoje se canta os Reis.
e vós bem sabias e vós bem sabeis
que é do dia 5 para o dia 6
já vimos a porta aberta,
já vimos luz a brilhar,
perguntamos à vizinha
se dá licença de entrar.
ó senhor, abra-me a porta,
que tenho os pés à geada.
a gente somos só três,
a despesa não é nada.
ó senhor, abra-me a porta,
que tenho os pés ó sereno,
eu venho cantar os Reis
pelas palhinhas do feno.
ó senhor, abra-me a porta
que isto é só um pedacinho:
é somente para ver
se ainda há um licorzinho.
ó senhor, abra-me a porta,
esta noite é especial:
embora seja janeiro,
continua a ser Natal.
ó senhor abra-me a porta
e oiça com atenção:
fizemos esta visita
com amor e devoção.
ó senhor abra-me a porta
e acenda uma luzinha:
viemos cantar os Reis
e ver a sua lapinha.
pelo seu interesse para a compreensão destes cantaress e das diferenças que fazem entre si, boto aqui este enlace.
imagem: www.musicanova.ovar.info
Sábado, Janeiro 03, 2009
janeira, janeiras
tanto em Portugal como na Galiza, entendemos por "janeira" (subst.) a "lua de janeiro" e a "época de cio dos gatos". também se diz que por este mês os gatos "andam às janeiras" (subst. fem. pl.)."janeiras" podem ser tamém os cânticos populares de Ano Novo. um deles é este:
natal dos simples (Zeca Afonso)
vamos cantar as janeiras
vamos cantar as janeiras
por esses quintais adentro vamos
às raparigas solteiras
vamos cantar orvalhadas
vamos cantar orvalhadas
por esses quintais adentro vamos
às raparigas casadas
vira o vento e muda a sorte
vira o vento e muda a sorte
por aqueles olivais perdidos
foi-se embora o vento norte
muita neve cai na serra
muita neve cai na serra
só se lembra dos caminhos velhos
quem tem saudades da terra
quem tem a candeia acesa
quem tem a candeia acesa
rabanadas pão e vinho novo
matava a fome à pobreza
já nos cansa esta lonjura
já nos cansa esta lonjura
só se lembra dos caminhos velhos
quem anda à noite à ventura
graf. altern. (Gz.): "xaneira", "xaneiras"
mas, como diz o povo, "esta minha gargantinha nom é fole de ferreiro", polo que raramente os cantadores cantam "de graça e a sêco". umas janeiras mais compostas costumam ter o ingrediente do apelo à generosidade dos ouvintes, para os objetivos mais variados. no caso seguinte trata-se das obras da igreja paroquial:
que tenha muita saúde (Carrêço, Viana do Castelo)
vimos cantar as janeiras
boas festas desejar
que tenha muita saúde
no ano que vai entrar
ora viva lá, senhora,
sentadinha à lareira
chegue-se aqui à porta
não se esqueça da carteira
vimos cantar as janeiras
boas festas desejar
que tenha muita saúde
no ano que vai entrar
boa noite gente bondosa
noutra terra não conheço
ajude a fazer as obras
na igreja de Carrêço
vimos cantar as janeiras
boas festas desejar
que tenha muita saúde
no ano que vai entrar
muito obrigado senhores
que nos vamos retirar
prometemos com amizade
para o ano cá voltar
vimos cantar as janeiras
boas festas desejar
que tenha muita saúde
no ano que vai entrar
o mais comum é que a generosidade solicitada reverta direitinha em favor dos cantadores:
do seu banco de cortiça
venha-nos dar as janeiras
ou de carne ou de chouriça.
viva lá o senhor João
cara de fino papel
chegam-se as moças a ele
como as abelhas ó mel.
viva lá o senhor António
raminho de bem querer,
traga lá a chave da adega
venha-nos dar de beber.
das janeiras que nos deram
será Deus o pagador.
queira Deus que para o ano
nos faça o mesmo favor.
imagem: blog.lusolyon.org
Segunda-feira, Dezembro 29, 2008
serão
"serão" (subst.) é a parte da noite que vai da ceia à hora do deitar. reunião familiar noturna em redor da lareira depois da ceia. trabalho feito à noite, fora do horário de trabalho.graf. altern: "serám" e serán (Gz.)
e sobre "serão" deixo aqui a letra de um belo canto alentejano:
pelo toque da viola
ó luar da meia-noite
não digas à minha amada
que eu passei à rua dela
às quatro da madrugada
pelo toque da viola,
já sei as horas que são.
inda não é meia-noite,
já passei um bom serão!
já passei um bom serão,
vai dormir vai descansar,
vai dormir vai descansar,
amor do meu coração!
suspirava por te ver,
já matei a saudade,
uma ausência custa muito,
a quem ama com verdade!
pelo toque da viola,
já sei as horas que são.
inda não é meia-noite,
já passei um bom serão!
já passei um bom serão,
vai dormir vai descansar,
vai dormir vai descansar,
amor do meu coração!
Sexta-feira, Dezembro 26, 2008
tangolomango, tangomango, tranglomango, trangolomango ou trangomango
uma ou outra das variantes que se seguem é usada pelos falantes de Portugal, da Galiza e do Brasil."dar o tangolomango": morrer, desaparecer, sumir inexplicavelmente.
surge em algumas parlendas ou lengalengas populares, como essa aí do Brasil:
o tangolomango das irmãs
eram nove irmãs em casa
uma foi fazer biscoito.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão oito.
destas oito que ficaram
uma foi amolar canivete.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão sete.
destas sete que ficaram
uma foi falar francês.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão seis.
destas seis que ficaram,
uma foi pelar um pinto.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão cinco.
destas cinco que ficaram,
uma foi para o teatro.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão quatro.
destas quatro que ficaram,
uma casou com um português.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão três.
destas três que ficaram,
uma foi passear nas ruas.
deu o tangolomango nela
não ficaram senão duas.
dessas duas que ficaram,
uma não fez coisa alguma.
deu o tangolomango nela
e não ficou senão uma.
essa uma que ficou
meteu-se a comer feijão.
deu o tangolomango nela
e acabou-se a geração.
esta versão portuguesa, um tanto forçada na rima:
minha mãe teve dez filhos
todos dez dentro de um pote:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão nove.
desses nove que ficaram
foram amassar biscoito:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão oito.
desses oito que ficaram
foram pentear o tapete:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão sete.
desses sete que ficaram
foram esperar os reis:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão seis.
desses seis que ficaram
foram depenar um pinto:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão cinco.
desses cinco que ficaram
foram depenar um pato:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão quatro.
desses quatro que ficaram
foram matar uma rês:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão três.
desses três que ficaram
foram dar comida aos bois:
deu o tranglomango neles,
não ficaram senão dois.
desses dois que ficaram
foram matar um peru:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficou senão um.
e esse um que ficou
foi ver amassar o pão:
deu o tranglomanglo nele,
e acabou-se a geração.
ou esta versão, mais moderna, de Maria Amália Camargo:
o tangolomango de Sinhá Mosca (fascículo completo)
eram treze moscas num sítio, uma ficou macambúzia
deu um tangolomango nela e então sobrou uma dúzia.
dessas doze, sinhá, que ficaram, uma tomou um bronze
deu um tangolomango nela e então sobraram onze.
dessas onze, sinhá, que ficaram, uma teve um revestrés
deu um tangolomango nela e então sobraram dez.
dessas dez, sinhá, que ficaram, uma amarrou o maior bode
deu um tangolomango nela e então sobraram nove.
dessas nove, sinhá, que ficaram, uma pousou num biscoito
deu um tangolomango nela e então sobraram oito.
dessas oito, sinhá, que ficaram, uma voou da charrete
deu um tangolomango nela e então sobraram sete.
dessas sete, sinhá, que ficaram, uma disse "sim, não, talvez"
deu um tangolomango nela e então sobraram seis.
dessas seis, sinhá, que ficaram, uma apertou o cinto.
deu um tangolomango nela e então sobraram cinco.
dessas cinco, sinhá, que ficaram, uma posou pr'um retrato
deu um tangolomango nela e então sobraram quatro.
dessas quatro, sinhá, que ficaram, uma esbarrou num genovês
deu um tangolomango nela e então sobraram três.
dessas três, sinhá, que ficaram, uma quis conhecer as dunas.
deu um tangolomango nela e então sobraram duas.
dessas duas, sinhá, que ficaram, uma caiu de bunda.
deu um tangolomango nela e tumba-catatumba!
essa uma, sinhá, que ficou, sentou em frente à televisão.
deu um tangolomango nela, acabou-se a geração!
e uma versão capixaba (i. e., do Estado do Espírito Santo, Br.):
uma velha tinha dez filhos, oi Iaiá,
foram brincar de automove
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram nove.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram nove
os nove filhos da velha, oi Iaiá
foram comer um biscoito.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram oito.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram oito
os oito filhos da velha, oi Iaiá
foram brincar de pintar o sete.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram sete.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram sete.
os sete filhos da velha, oi Iaiá
foram brincar na casa dos reis.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram seis.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram seis.
os seis filhos da velha, oi Iaiá,
foram lá pelar um pinto.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram cinco.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram cinco.
os cinco filhos da velha, oi Iaiá,
foram brincar dentro do quarto.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram quatro.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram quatro.
os quatro filhos da velha, oi Iaiá,
foram falar em francês.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram três.
morreu um, morreu um,
morreu, ficaram três.
os três filhos da velha, oi Iaiá,
foram comer muito arroz.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficaram dois.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficaram dois.
os dois filhos da velha, oi Iaiá,
foram comer muito tacum.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficou só um.
morreu um, morreu um,
morreu um, ficou só um.
este um filho da velha, oi Iaiá,
foi se meter com o urubu.
deu tango, deu mango neles, oi Iaiá,
morreu um, ficou nenhum.
morreu um, morreu um,
e a velha ficou sem nenhum...
o orangotango (Gz.):
uma nai tinha dez filhas,
todas do mesmo home,
e ven'o orangotango
nom quedano mais ca nove.
e das nove que quedano
deno em comer biscoito,
e ven' o orangotango
nom quedano mais ca oito.
e das oito que quedano
deno en tomar campeche,
e ven'o orangotango,
nom quedano mais ca sete.
e das sete que quedano
dénon’ir cantar os reis,
e ven'o orangotango,
nom quedano mais ca seis.
e destas seis que quedano
dénon’ir tomar vinho tinto,
e ven'o orangotango,
nom quedano mais ca cinco.
e das cinco que quedano
fono dar tombos de gato,
e ven'o orangotango,
nom quedano mais ca catro.
e das catro que quedano,
denon’ir a San' André,
e ven'o orangotango,
nom quedano mais ca tres.
e destas tres que quedano
denon’ir e vir às uvas,
e ven o orangotango,
nom quedano mais ca duas.
e das duas que quedano
denon’ir e vir à tuna,
e ven'o orangotango,
já nom quedou mais ca uma.
e da uma que quedou
sua nai deu-le as açoutas,
vai-te, minha filha, vai-te,
polo caminho das outras.
imagem: www.pacc.ufrj.br
tamém (Pt-n e Gz.)
Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
cesteiro que faz um cesto...
"cesteiro que faz um cesto faz um cento", diz o refrão. e com isso se quer dizer, habitualmente, que quem cometeu um erro é bem capaz de cometer outro, que quem nos traiu, ofendeu ou desiludiu, o pode tornar a fazer, ou seja, que "não há duas sem três".sendo que "de boas intenções está o inferno cheio" e que "gato escaldado [até] de água fria tem medo", ficamos sempre na dúvida. daí que o refrão completo seja "cesteiro que faz um cesto faz um cento, dêm-lhe verga e tempo".
imagem: observares.blogspot.com
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
badalhoco (Pt.), badalhocas (Gz.)
badalhocas (Gz.) (adj.) diz-se da pessoa incorreta, sem maneiras, que não observa as formalidades; inconstante e charlatã.
embora haja quem faça vir estas palavras de "badalo", creio que a origem está em Badajoz, antiga Badalhouce e Badalioz. tal como outros adjetivos pouco simpáticos que se inspiram em pretensas caraterísticas do povo de outras cidades ou regiões por esse mundo fora. como "pulha" e "palerma", por exemplo.
Terça-feira, Dezembro 09, 2008
sem dizer água-vai
naqueles tempos, não tão distantes assim, não havia sistema de esgotos e de escoamento de águas. as pessoas livravam-se das águas usadas ou sujas jogando-as à rua, à vala ou cale pela janela, pela porta ou pela varanda. e, para evitar desgraças,ou incidentes desagradáveis, era de boa norma gritar alto, de jeito a que qualquer passante pudesse ouvir: "água vai!"mas o espírito da expressão manteve-se. o seu fito é avisar, prevenir, precatar.
assim, "sem dizer água-vai" significa "sem avisar", "sem dar explicações".
imagem: aldacris.wordpress.com
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
de mãos a abanar
"ir ou chegar de mãos a abanar": não levar ou não trazer prenda ou lembrança ou não estar preparado para a retribuir.
"vir de mãos a abanar": vir sem nada de onde seria suposto que se trouxesse alguma coisa ou resultado.
imagem: mrobalinho.space.live.com
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
guisa (Pt., Gz. e Br.)
....................
(*) Dicionário Estraviz
Quarta-feira, Novembro 12, 2008
tricana

"tricana" (subst. fem.) é uma espécie de burel antigo, tecido grosseiro de lã; saia desse tecido; moça do povo, camponesa, que usava esse tipo de saia e de tecido; diz-se das antigas moças e mulheres de Coimbra e do distrito de Aveiro (Pt.).
figura do folclore estudantil de Coimbra, era a moça ou mulher não estudante, motivo de paixonetas, baladas e fados.
imagem: www.aac.uc.pt
Segunda-feira, Novembro 10, 2008
futrica
"andar à futrica": andar vestido sem o traje académico, vestir à paisana.
significa, ainda, "homem desprezível", bandalho"; "cobarde", "medroso", "fraco" (Gz.); "mexerico", "intriga" (Br.).
Terça-feira, Novembro 04, 2008
candongueiro
candonga
a palavra é de origem africana, de língua banto, que significaria "esperto", "astuto", "ardiloso".
Sexta-feira, Outubro 31, 2008
candango (Br.)
"candango" (subst.; adj.) é palavra de origem africana, levada para o Brasil pelos escravos negros de fala quimbunda. por "candango" queriam significar "ruim,", "mau", "malvado", "ordinário", pelo que usavam o termo para se referirem aos donos dos engenhos de cana de açúcar onde trabalhavam.passou a aplicar-se também ao trabalhador braçal, o servente de construção, aquele que usa mais a força que a cabeça. ouvi também dar-lhe o significado de rústico, de natural da terra, sobretudo para designar portugueses e galegos - os europeus que primeiro povoaram o Brasil e, por isso, eram os "naturais" por oposição aos imigrantes mais recentes. posteriormente, o termo "candango" passou a usar-se para designar as pessoas do norte e do nordeste que migraram ao Planalto Central para trabalhar nas obras de construção de Brasília, quase todos eles com origem remota no norte de Portugal ou na Galiza.
o contributo dos "candangos" para a construção da utopia brasiliense fez com que o termo passasse a designar correntemente os próprios habitantes de Brasília, em paralelo com a designação mais erudita "brasilienses".
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Terça-feira, Outubro 28, 2008
fagueiro (Pt., Gz. e Br.)

e agora, de Zeca Afonso, "Menino d'Oiro":
o meu menino é d'oiro
é d'oiro fino
não façam caso
que é pequenino
o meu menino é d'oiro
d'oiro fagueiro
hei-de levá-lo
no meu veleiro
venham aves do céu
pousar de mansinho
por sobre os ombros
do meu menino
venham comigo venham
que eu não vou só
levo o menino
no meu trenó
quantos sonhos ligeiros
p'ra teu sossego
menino avaro
não tenhas medo
onde fores no teu sonho
quero ir contigo
menino d'oiro
sou teu amigo
venham altas montanhas
ventos do mar
que o meu menino
nasceu p'ra amar
venham comigo venham
que eu não vou só
levo o menino
no meu trenó
Segunda-feira, Outubro 27, 2008
lenda de são pedro de rates
São Pedro de Rates é uma freguesia do concelho da Póvoa de Varzim (Pt.). segundo a lenda, o santo patrono, Pedro, terá sido um dos sete bispos peninsulares ordenados pelo apóstolo Tiago, que lhe teria atribuido a diocese de Braga.segundo a lenda, Pedro curou uma princesa acometida de doença fatal. em reconhecimento do milagre, a moça não só se converteu ao cristianismo como fez voto de castidade, o que gerou a ira do pai e a inevitável sentença de morte para quem a tinha curado. avisado, o santo refugiou-se em Rates, mas foi aí descoberto e executado. sepultaram-no sob as ruínas do pequeno templo onde tudo acontecera. o templo foi desaparecendo com o tempo e com ele a memória do local da sepultura. mais tarde, de um monte próximo, o eremita São Félix, Fins ou Fiz, enxergou uma luz na escuridão. dirigiu-se a um montículo de pedras de onde provinha a luz, removeu-as e debaixo delas atopou o corpo de Pedro.
teria alguma razão o irado pai da princesa, pois que Rates estava ligada ao culto da fertilidade e não da castidade. para conseguirem alcançar, as mulheres estéreis tinham por costume sentar-se numa pedra furada que havia por ali. e no templo românico de Rates ainda hoje se vê uma serpente esculpida numa das pedras resgatada do templo pagão anterior.
lenda do galo de Barcelos
esta lenda é uma das muitas do ciclo jacobeu ouvidas na região litoral a norte do rio Douro, como Matosinhos, S. Pedro de Rates, Barcelos e S. Bartolomeu do Mar. do seu conteúdo extrai-se um miolo composto de galo ou galego (celta), peregrinação, cruzamento ou encruzilhada (cruz, cruzes), morte e ressurreição (conteúdo iniciático). em suma: o peregrino faz a sua caminhada interior, debate-se com as encruzilhadas, sobressaltos e perigos do caminho, morre para o seu passado e ressuscita sob uma personalidade renovada. esta lenda (iniciática) é afim de outras que se ouvem em diversos pontos dos caminhos (geográficos) que conduzem a Santiago de Compostela. uma versão desta lenda é a de Santo Domingo de la Calzada.
Domingo, Outubro 26, 2008
Sábado, Outubro 25, 2008
esperto
"esperto" (adj.) é aquele que está "desperto", "ativo". o mesmo que "astuto", "diligente", "hábil", "vivaço".há tamém o "chico esperto", "o maior", aquela personagem irritante que se julga mais esperto que o outros e que procura de modo fácil e rápido, e muitas vezes irregular, atingir aquilo que aos outros leva tempo, trabalho e canseira.
degredo (Pt., Gz. e Br.)
do lat. decretu ("decreto"), degredo é a pena de desterro ou expatriação imposta por decreto judicial ou por pessoa ou autoridade com poder ou competência para "decretar". pode advir em castigo de um crime ou por medida de segurança do rei, do príncipe ou do estado. é tamém o lugar onde é cumprido o degredo.Sexta-feira, Outubro 24, 2008
Quinta-feira, Outubro 23, 2008
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
garula (Gz.)
dá deus as nozes a quem não tem dentes
a expressão significa que não falta quem tenha oportunidades que não sabe ou não tem condições de aproveitar.certo é que a expressão se aplica, por exemplo, tanto ao papa a quem ofereceram um ferrari, como ao velho decrépito que casou com mulher nova.
e, já agora, a inversa tamém é verdadeira: dá deus os dentes a quem não tem nozes. simplesmente, apesar de verdadeira, esta última proposição não faz refrão.
bom, é claro que, como dizem os amigos brasileiros, "deus dá as nozes, mas não as quebra".
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
o lobo mau
o "lobo mau" é apresentado como o lado sombrio do simbolismo do lobo. ligado às florestas, como uma das manifestações dos espíritos que as habitam, costuma ser representado como o guardião do tempo, de tudo o que existe para além da vida. por isso, um dos avatares de Zeus é Lykaios, o lobo, aquele que vê para além do dia e da noite, da vida e da morte, mais sábio que a multidão dos mortais.
a goela do lobo é a noite devoradora que engole o tempo e, com ele, todas as coisas que a Avozinha, a Grande Mãe Natureza, vai gerando e parindo, umas atrás das outras. devassa e fértil, ela é a parceira de Cronos, com quem partilha o destino de gerar e comer as próprias crias, as Grandes Filhas, ou netas da Criação.
como símbolo, o Lobo Mau é de uma prodigiosa ambivalência: todas as crianças se amedrontam e fascinam com o Lobo Mau. por detrás do lado sombrio e mortal do seu aspeto feroz, esconde-se a irresistível sedução dos impulsos e instintos que conduzem à vida. nom há Capuchinho Vermelho que resista.
Domingo, Outubro 19, 2008
quanto maior é a nau maior é a tormenta (Pt., Gz. e Br.)
expressão própria de povo que faz ou fez do mar a sua estrada habitual, significa que quanto mais rico ou mais elevado se está na escala social mais problemas se tem pra gerir ambas as cousas.aparece tamém sob a forma "grande nau grande tormenta".
Terça-feira, Outubro 14, 2008
sucata (Pt., Gz. e Br.)
"sucata" (subst. fem.) significa "ferro-velho", "velharia";"cemitério de automóveis".
ao contrário dos lixos, que nom tenhem qualquer valor comercial, a sucata é um negócio rentável.
Estraviz regista o termo e com o mesmo significado.
Sexta-feira, Outubro 10, 2008
apalpar
"apalpar" (verb.) significa "conhecer com as mãos", "tentear com o tato"; "tatear", "sondar" (fig.). faz-se para completar a vista ou para suprir a falta dela.dá-nos conhecimento da forma, dimensão, volume, textura, temperatura e conteúdo da coisa apalpada. no plano das relações humanas, tanto pode constituir um abuso ou grosseria como ser uma manifestação de prazer, de carinho, de ternura, de amor ou de paixão.
convém juntar-lhe um cheirinho de malícia.
...mas apalpar alma de gente quem se atrever que tente.
expressões associadas:
"apalpar o terreno" - tentear um caminho; sondar uma sensibilidade, uma disposição, ou recetividade de alguém para conosco.
"sentir-se apalpado" - sentir-se apertado, apanhado, constrangido, pressionado ou condicionado.
"andar às apalpadelas" - andar sem referências seguras, progredir cautelosamente, por tentativas.
[imagem]
Quinta-feira, Outubro 09, 2008
sopas de cavalo cansado
o mesmo que "sopas de burro cansado" (ver Comentº de LQB)
[imagem]
as paredes têm ouvidos
com esta expressão costuma-se querer dizer que alguém pode ouvir a conversa, pelo que todo o cuidado com os segredos será pouco. o pior é que muitas vezes os ouvidos estão mais perto de nós do que a paredeQuarta-feira, Outubro 08, 2008
segredo (Pt., Gz. e Br.)
"segredo" (subst.) é uma coisa, assunto ou matéria de melindre e de sigilo, que só se conta aos melhores amigos - que, por sua vez, só a contam aos melhores amigos deles. polo que o segredo se vai desfazendo por si mesmo, sem grande prejuizo.polo sim polo não, melhor é nom deixar segredos à solta por aí. e melhor ainda é nom ter segredos.
tortilha à francesa
bom, sentámo-nos à mesa e trouxeram o cardápio: merluza, ternera, cordero, enfim, aquelas cousas que são habituais de servir nos restaurantes de lá. a tal sumidade, senhoreca fina, topou uma iguaria no menu: "tortilla a la francesa". naquela cabecinha fumegava já uma cheirosa delícia gastronómica, digna do melhor gourmet.
inda tentei a minha sorte: - não quer provar outra coisa? ... talvez...
que não, tortilla a la francesa estava muito bem. era o que lhe estava mesmo a apetecer.
passado aquele tempo entre pedir e comer, chegou o garzón. e depositou no centro do prato da senhora uma apetitosa omelete de ovo, sem mais nada.
de cara espantada, perguntou-me:
- mas eu mandei vir uma "tortilha à francesa"...
- aí a tem... e que bom aspeto!...
mamá, que me trai da feira? (Gz.)

"- mamá, que me traz da feira? - o caminho para andar, meu filho".
imagem: Evening Glory, John Langley
Terça-feira, Outubro 07, 2008
nom se ganhou Zamora numa hora (Gz.)
Segunda-feira, Outubro 06, 2008
vozes de burro não chegam ao céu
assulagar ou sulagar (Gz.)
marinheiro galego, labrego do azul
home de mar, marinheiro;
labrego do azul.
home sem tempo, poeta.
vieiros infindos os teus
que levam a inconcruir as cousas,
...sonhos os teus absolutos.
viver assulagado o teu
dum azul infindo e de
saudade.
lembrança e esp'rança
principio e fim das tuas
cousas,
... sonhos os teus absolutos.
home de mar, marinheiro;
labrego do azul.
home sem tempo, poeta.
(Alfredo Conde, poeta galego)
//poema revertido à norma AGAL//
Domingo, Outubro 05, 2008
essa é farinha de outro saco (Pt., Gz. e Br.)
Sábado, Outubro 04, 2008
alaba-te coitelo, que a vender- te [-che] levo (Gz.)
este dito ou expressão é irmão gémeo daqueles outros: "gaba-te cesto, que amanhá vais à vindima", "alaba-te [-che] boi, que a vender te [che] levam (Gz.), "alaba-te [-che] mantelo, que a vender te [che] levo" (Gz.) e "alaba-te [-che] cám, que te [che] vais casar 'manhã" (Gz.).Terça-feira, Setembro 30, 2008
no dia de São Nunca, à tarde
a expressão "no dia de S. Nunca, à tarde" indica que um determinado acontecimento ou desejo é previsivelmente impossível de realizar, ou não temos vontade que se realize.
exº: "casarei contigo no dia de São Nunca, à tarde"; "vamos agendar isso para o dia de São Nunca, à tarde".
expressão equivalente: "quando as galinhas tiverem dentes".
Segunda-feira, Setembro 29, 2008
ribanceira (Pt., Gz. e Br.)

ribanceira é uma coisa de onde muita cousa cai: ou caiam cousas de cima ou caiam coisas lá abaixo.
muita gente sonha com precipícios e ribanceiras. o que esses sonhos tenhem de bom é que a gente acorda meio metro antes de chegar ao fundo.
de primeira apanha
Domingo, Setembro 28, 2008
puxar a brasa à sua sardinha

além de dar informações óbvias sobre a dieta popular, a expressão "puxar a brasa à sua sardinha" ou "chegar a brasa à sua sardinha" significa "tratar dos seus interesses", "aproveitar toda a ocasião ou ensejo para realizar os seus intentos", "ser egoísta".
e vejam aí esses versos:
"cada um tenta puxar a brasa à sua sardinha"
é antigo esse ditado,
que tem certo fundamento,
pra se fazer julgamento
do seu significado,
o qual tem sido aplicado
da forma que se alinha,
pois o homem se encaminha
para se locupletar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
cada um por si e Deus
por todos, outro ditado,
para ser analisado
por ilustres e plebeus,
evangélicos e ateus,
qualquer um que se sublinha,
essa citação eu tinha,
para um dia revelar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
é um gesto corriqueiro,
praticado em todo canto,
não é de causar espanto,
muitas vezes verdadeiro
em certos casos, primeiro,
quem se previne, adivinha,
cuida, protege e caminha
para o que lhe interessar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
tem aquele que apela
para Deus, o que deseja,
comparece a uma igreja,
a um santuário ou capela,
reza uma salve-rainha,
no altar, banco ou lapinha,
pra seu desejo alcançar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
para suas conveniências
às vezes uma criatura,
com arte e desenvoltura,
age para diligências
das diversas incumbências,
com as quais se apadrinha,
se afirma e se aninha,
sem aos outros se importar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
tem gente que negocia,
procurando convencer,
diz que vai desenvolver
um plano de primazia,
chama toda freguesia,
faz aquela ladainha,
mas nem bate a passarinha,
se o cliente se enrolar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
é normal num desafio
entre vates cantadores,
parecendo dois tenores,
cada um mostrando brio,
se declara ser bravio,
e aí efervesce a rinha,
no toque da violinha,
passa a se vangloriar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
Quem quer a sardinha assada,
procura puxar a brasa,
com jeito e não se atrasa,
para ter assegurada
sua parte desejada,
sem perder essa boquinha,
quem sabe, busca, caminha
para se realizar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
assa carne de pavão,
de porco, peba, tatu,
de bode, gado, peru,
codorniz, arribação,
milho, bolo, queijo, pão,
preá, batata, galinha,
peixe, filhós, batatinha,
tudo o que se pode assar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
tem muita gente egoísta,
só pensa em tirar proveito
para si de todo jeito,
não muda o ponto de vista,
achando ser uma conquista,
não passa de picuinha
essa atitude mesquinha,
que não é nada exemplar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
vê-se gente dar atenção
pra si mesmo e mais ninguém,
trata os outros com desdém,
passa a ser obsessão,
não ajuda a seu irmão,
nem até sua mãezinha,
achando bom a vidinha,
a ninguém quer ajudar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
tem pessoa impertinente,
intragável, presunçosa,
imbecil, reles, teimosa,
antipática, renitente,
tacanha, inconveniente,
só anda fora da linha,
com sua cara lisinha,
sem nada para agradar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
vê-se pessoa que quer
conseguir algo na marra,
insiste e não se desgarra
do seu ávido mister,
não mede e dê o que der,
sua conduta daninha
irrita, incomoda, espinha,
e só faz contrariar.
cada um tenta puxar
a brasa à sua sardinha.
(José de Sousa Dantas, in Usina de Letras, Secção Literatura de Cordel)
ir abaixo de braga
em boa verdade, "ir abaixo de Braga" é muito menos frequente do que "mandar abaixo de Braga", porque uma cousa é mandar e outra é ir.talvez por isso se diz mais depressa "mandei-o abaixo de Braga" do que o imperativo "vai abaixo de Braga!"
ouço a expressão desde pequeno, sobretudo na própria cidade de Braga e seus arredores. o certo é que nunca ninguém me soube explicar a origem da expressão. mas tendo em conta o seu significado picaresco, é possível que tenha tido origem num trocadilho entre Braga e bragas, sendo que a palavra "bragas", que se mantém viva em Espanha, caíu em desuso por aqui. diga-se de passagem que o mais certo é que Braga e bragas tenham origem comum na tribo brácara, que, ao que consta, terá sido a fashion designer dessa peça de roupa. em versão já um poucochinho démodée, obviamente.
seja como for, a expressão é muito mais compreensível se na origem tiver sido "ir abaixo de bragas". que é como quem diz "ir à merda". com vossa licença, claro.
paspalho
"paspalho" (adj.; subst.) significa "palhaço"; "pessoa inútil" (fig.), "atranquilho" (fig.); "parlapatão", "lorpa"; "parolo"; ""palerma"; paspalhão", "tudo e todo o que enreda, atranca ou confunde"; "janota" (fig.), "figurão" (fig.); também: "codorniz".imagem: aqui
Sábado, Setembro 27, 2008
mal-entendido
o mal-entendido é um efeito secundário da comunicação. depende da relação entre quem comunica e da emoção e expectativas mútuas.os mal-entendidos são particularmente sérios na comunicação amorosa e no discurso diplomático: um ligeiro desvio de código, uma interferência maldosa, uma desconfiança infundada, uma coincidência inoportuna, e zás! estala a confusom.
mas só pode haver mal-entendidos onde houver comunicação. e é isso que salva a maior parte dos mal-entendidos.
ter bichos carpinteiros
"ter bichos carpinteiros" é próprio das crianças rebuldeiras, traquinas, travessas, que não param quietas. é sinal de saúde e graça de Deus, mas incomoda bastante os adultos (mais os pais que os avós). tamém se diz "ter bichos carpinteiros no rabo".equivalente: "ter o formiguilho no cu" (Gz.). contributo de LQB - ver Comentº.
levar a mal
às vezes o "levar a mal" é fruto de um mal-entendido, pois a reação nem sempre está de acordo com a intenção do dito ou feito que a provocou. e como somos todos uns vidrinhos de cheiro, mais suscetíveis do que empáticos, usamos muito mais vezes a expressão "levar a mal" do que "levar a bem".
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
entender (Pt., Gz. e Br.)
"entender" (verb.) significa "compreender", "perceber", "interpretar", "inteligir", "abranger"; "crer", "pensar", "julgar"; "ter ideias claras sobre qualquer coisa ou assunto"; "ser perito ou conhecedor de alguma matéria"; "conhecer alguém em profundidade"; "comunicar ou dialogar com alguém para além do superficial"."entender" (subst.) significa "parecer", "opinião".
no meu entender, entender alguém pode não ser mais que um conjunto de mal-entendidos que fazem um novo sentido em comum. o que interessa de verdade é a cumplicidade que se cria. há muitos anos alguém me disse: "pouco importa o que estás a dizer, adoro a forma como o dizes". em suma: não interessa a letra, o que mais conta é a música.
Quinta-feira, Setembro 25, 2008
corrupio (Pt. e Br.); corrúpio (Gz. e Br.)
"corrupio" (subst.) é o mesmo que "roda-viva", "atividade frenética"; "stresse" (fig.); "volta", "vira-volta"; "afã", "azáfama"; "dança" (fig.); brincadeira em que se formam pares que, de mãos dadas e com os braços esticados, jogam o corpo para trás, rodando em conjunto o mais rápido que podem (Pt. e Br.); brinquedo formado por uma haste de pau, onde se fixam hélices de papel ou de penas que giram com o vento;"corrúpio" (Gz.): brinquedo formado por uma peça de barro com dois buracos pelos quais entram dois fios que puxados a põem em movimento (Gz.).
"corrúpio" (adj.): "cruel", "perverso"; "ferrenho", "feroz", "empedernido" (Gz. e Br.).
e aqui vai um extrato de um textinho de Rubem Alves, psicanalista-escritor, sobre corrupios:
abri o meu baú de brinquedos. piões, corrupios, bilboquês, iô-iôs e uma infinidade de outros brinquedos que não têm nome. seria indigno que eu levasse piões e não soubesse rodá-los. peguei um pião e uma fieira e fui praticar. estava rodando o pião no meu jardim quando um cliente chegou. olhou-me espantado. ele não imaginava que psicanalistas rodassem piões. psicanalista é pessoa séria, ser do dever. pião é coisa de criança, ser do prazer. acho que meus colegas psicanalistas concordariam com meu paciente. a teoria diz que um cliente nada deve saber da vida do psicanalista. o psicanalista deve ser apenas um espaço vazio, tela onde o paciente projeta suas identificações. mas a minha vocação é a heresia. ando na direção contrária. "você sabe rodar piões?", eu perguntei. ele não sabia. acho que ficou com inveja. a sessão de terapia foi sobre isso. e ele me disse que um dos seus maiores problemas era o medo do ridículo. crianças são ridículas. adultos não são ridículos. aí conversamos sobre uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado: que, talvez, uma das funções da terapia seja fazer com que as pessoas não tenham medo das coisas que os "outros" definem como ridículo. quem não tem medo do ridículo está livre do olhar dos outros.
(in: Correio Popular, de Campinas, SP, Br.).
Terça-feira, Setembro 23, 2008
columpio (Gz.)
não resisto a resumir o conto Novo de Parmuide, de Álvaro Cunqueiro, em Xente de Aquí e de Acolá.
Novo, um rapaz de Parmuide, apaixonara-se polos columpios nas festas de Mondonhedo e de Lugo. tanto, que feira ou arraial a que ele fosse tinha que lá gastar o dinheiro a columpiar-se. já home completo, Novo mandou vir um columpio individual, de cadeado, com assento forrado a pano verde, de onde caíam uns guizos. e montou-o na eira. sempre que podia, fazia a sesta no columpio e se queria provar amizade a alguém convidava-o a columpiar-se nele.
na tropa, um camarada que curava cavalos ensinara-lhe um montóm de receitas coas que apanhou o jeito e o vício de curar. e mais tarde, nom se sabe quando, Novo haveria de ajuntar o seu columpio ao já composto arsenal terapêutico. a princípio curava só catarros, com umas quantas doses de columpio, mas depois começou a aventurar-se às dores de cabeça, ao raquitismo e à anemia, com o que foi fazendo o carreiro das formigas de uma vasta clientela.
farto de ouvir falar em linguagem científica a outros que curavam menos que ele, Novo tratou de aprender uns versos e uns latins para recitar aos clientes enquanto os columpiava. dizia ele que um soneto bem botado aumenta a confiança dos enfermos. depois que aprendeu de cor uns versos e ladainhas, o mencinheiro já ajudava as mulheres prenhas a livrar-se em noites de lua cheia. e até conseguiu que uma freira paralítica saísse do columpio polo pezinho dela.
temendo que lhe decorassem a reza e co isso lhe roubassem o poder, Novo passou a dizer os versos ao revés. palavras de ocultis.
mas quando Novo morreu, o poder do columpio finou-se tamém. já nem os ratos lhe tenhem respeito.
vadio (Pt., Gz. e Br.)
cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
e reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
não sou parvo nem romancista russo aplicado,
e romantismo, sim, mas devagar...).
sinto uma simpatia por essa gente toda,
sobretudo quando não merece simpatia.
sim, eu sou também vadio e pedinte,
e sou-o também por minha culpa.
ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
é estar ao lado da escala social,
é não ser adaptável às normas da vida,
às normas reais ou sentimentais da vida.
não ser juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
não ser pobre a valer, operário explorado,
não ser doente de uma doença incurável,
não ser sedento de justiça, ou capitão de cavalaria,
não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
e se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.
não: tudo menos ter razão!
tudo menos importar-se com a humanidade!
tudo menos ceder ao humanitarismo!
de que serve uma sensação se há uma razão exterior a ela?
sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
é ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
é ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
tudo o mais é ter fome ou não ter que vestir.
e, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
e estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
coitado do Álvaro de Campos!
tão isolado na vida! tão deprimido nas sensações!
coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão
coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
e, sim, coitado dele!
mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
que são pedintes e pedem,
porque a alma humana é um abismo.
eu é que sei. coitado dele!
que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
mas até nem parvo sou!
nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
já disse: sou lúcido.
nada de estéticas com coração: sou lúcido.
merda! sou lúcido.
(Poesia de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa)
Domingo, Setembro 21, 2008
palitroque (Gz.)
(fontes: Dicionário Estraviz; Diccionario Gallego-Castelán, de L. Carré Alvarellos; Diccionario Anacomas).
mojena (Gz.)
graf. altern.: "moxena"
averno
"Averno" é um lago situado perto de Cumas (It.) na cratera de um vulcão extinto. o nome vem do grego aornon: "[lugar] sem aves". de suas águas exala um cheiro que espanta a vida, pelo que foi, desde tempos antigos, associado a uma das entradas do inferno. para os Romanos, Averno estava consagrado a Plutão, o deus dos infernos.a Morte, vestida em branco, eis minha próxima amante.
minha sede pelo que é vermelho, crescente como a lua, como a palidez
e o branco, o infinito tom cadavérico de tua pele.
incógnito e inatingível é o meu ritual!!!
o obscuro somente me encanta, a noite é minha única companheira,
minhas três noivas: os astros, a solidão e a melancolia.
não me tenhas como Narciso, pois minha imagem é a de Pan...
feiúra exalta-me !!! a beleza? está em mim !!!
eu uivo para ti porque sou teu cão que chora e pranta pela dor de quem, aos
poucos, definha... sou vampiro que procura por líquido menstrual
e que jorra o sacro-semen por ti, oh meretriz dos céus!
afaste-se de mim ou venha a mim, para comigo dividir toda esta misteriosa,
densa e negra floresta interior - para nos perdemos entre os abismos...
o mundo é um mar de rosas ou de trovões ?!? os ventos sopraram
e fizeram tu escapar em pleno e puro Nirvana.
(Canção em Lua Negra de Averno, da banda Malkuth - Br.)
....................
imagem: http://www.lagoaverno.it/
Sábado, Setembro 20, 2008
e agora a Queimada
mas, nos seus elementos fundamentais, tem reminiscências célticas, co seu lume, o pote, a escuridão, o álcool e os conjuros e esconjuros, cousa que, vindo do fundo dos tempos, remexe no íntimo da i-alma e da cultura do Noroeste, fazendo o êxito da Queimada.
espécie de teatro folclórico, a Queimada tem lugar à noite, depois da ceia, em plena escuridão, onde ressaltam a colher de augardente botando chispas de lume e as lengalengas de conjuros e esconjuros que, pola sua toada irracional, resultam numa linguagem que atinge diretamente o coração dos presentes.
a última vez que me recordo de participar numa Queimada foi em Vilar de Perdizes, Montalegre, no rematar dos trabalhos de um Congresso de Medicina Popular.
não tendo sequer cinquenta anos, os conjuros da Queimada são muitos, destacando-se os seguintes (em grafia reintegrada):
CONJURO DA QUEIMADA (Mariano Marcos de Abalo, 1967)
mouchos, corujas, sapos e bruxas, demos, trasgos e dianhos,
corvos, píntigas e meigas, feitiço das mencinheiras.
podres canhotas furadas, fogar dos vermes e alimanhas,
ouveio do cam, pregom da morte, focinho do sátiro e pé de coelho,
averno de satám e belzebu, lume dos cadáveres ardentes,
mugido da mar embravecida, barriga inútil da mulher solteira,
com este fole levantarei as chamas deste lume que assemelha ó do inferno,
ouvi, ouvi! os rugidos que dam
e quando esta beberagem baixe polas nossas gorjas
forças do ar, terra, mar e lume, a vós fago esta chamada!
se é verdade que tendes mais poder que a humana gente,
CONJURO (Xosé María Pérez Paralhé, 1909-1987)
lume, luminha que verde caminha, da fraga à lareira fai-se lumeira
lume da quentura pra nossa fartura
lume abençoada que roda a queimada
pingota de orvalho, auga do agoiro
cerqueira de lume sem trasno nem fumo
nem bruxa chuchona, nem meiga ventona
rolar moinheiro, chiscar faisqueiro
mojena lumiosa, vagalume roxa
viradeira de luz, faremos a cruz
polo ar da sorte, que escorrenta a morte
pola auga da vida que sara a ferida
pola erva moura que o que abusca atesoura
pola pedra do raio que mata o meigalho
lume, lume, lume
lume lumeada para alouminhar
a queima queimada
da vida virada do borburelhar
polo Sam Silvestre, cam e palitroque
polo San Andrés ou polo Santiago
num reviravés queimada che fago
e queimada é
por curiosidade, querendo tentar:
QUEIMADA PARA 6:
- uma noite escura, vendo-se a lua
- 6 amigos e amigas
- uma panela de barro
- uma colher de pau comprida
- 6 malguinhas de barro
- uma fogueira ou lume
- litro e meio de aguardente de 45º
- meio quilo de açúcar
- raspas de um limão; pedacinhos de maçã ou bagos de uva, a gosto
- um quarto de litro de café do bom
companha
"santa companha" (Gz.): procissão noturna das almas
esconjuro
conjuro
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
alimanha (Gz.), alimaria (Pt. e Gz.)
mencinheiro (Gz.)
ouveio (Gz.), uivo (Pt., Gz. e Br.)
verbos derivados: "oular" (Gz.), "oulear" (Gz.), "ouvear", "ouviar" (Pt., Gz. e Br.)
adjetivos: "ululante", "uivante".
latim (onomatop.): ululu, ululare
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
meigalho (Gz.)
assim, é um meigalho qualquer maleita física ou psíquica provocada por vizinhos ou familiares malquerentes ou assim supostos, por inimigos, ou por diabos e outros espíritos malignos, que se metem dentro das pessoas para lhes perturbar a existência e a paz de espírito. são também meigalhos a histeria, a fraqueza inexplicável e uma série de padecimentos vagos do foro psiquiátrico.
dos meigalhos bons não se queixam as pessoas. que as vejo caminhando pola vida à cata deles.
o mago
e eu ia bebendo na fonte o que a bica botava.
vendo-me interessado e curioso, o home mandou-me uma estocada e quase me joga no tapete:
- sabes de onde vem o meu poder?
fiquei sem resposta, ante tantas hipóteses que me passavam pola mente. pelo que, após um interlúdio bem estudado, o home respondeu à própria pergunta rapando do boné que trazia na cabeça e pondo-me a testa dele na frente dos meus olhos:
- daqui!
e mostra um par de corninhos, um de cada lado da testa, quase simétricos, que trazia recatados no seu boné.
a Bíblia passou-se-me de repente pelos olhos de dentro: tamém a Moisés o pintam com uns cornos assim!
aí, passei ao contra-ataque:
- home, cando eu entrei ali pola porta vi cousas de deus ao lado direito e cousas do diabo na montra da esquerda...
- ...e sabes porquê? - perguntou triunfante.
- ora, respondi eu, a porta da tua casa é como entrar dentro da gente. deus e o diabo fazem parte da nossa natureza por igual!
a reação do home foi de incredulidade. olhou pra mim de cima abaixo e perguntou:
- tu que fazes? és vidente? filósofo?
- gosto de entender as pessoas, só isso.
quem ia comigo já não aturava mais a conversa e deu coa língua nos dentes:
- ele é psiquiatra!
fiz um esgar de zangado, mas o mal estava feito.
a conversa mudou de figura. o impressionante feiticeiro entrou em confissão. contou como tudo começara, ainda jovem. cousas difíceis de entender se tinham passado co ele. chegavam-lhe de outros mundos vozes e influências. andara polos médicos, sem que lhe dessem solução às dúvidas, incertezas, enigmas e temores. começou a frequentar congressos de medicina, de literatura e de cultura e arte, procurando respostas. tornou-se amigo de figuras de renome e influência.
a fama dos seus contactos com experiências além do real fez que o procurassem cada vez mais e de mais longe. a resposta encontrou-a ajudando os outros.
hoje é ele mesmo um ícone da cultura nacional galega e um museu na sua terra.
escarafunchar (Pt., Gz. e Br.)
Terça-feira, Setembro 16, 2008
não paga a pena
"não paga a pena plantar. a formiga come tudo" - Jeca Tatuzinho, de Monteiro Lobato
"às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido".
(Fernando Pessoa)
outear (Gz.)
da mesma raiz latina que deu altus (alto) e altarium (altar, outeiro).
Segunda-feira, Setembro 15, 2008
madrasta (Pt., Gz. e Br.)
como adjetivo, "madrasta" significa "dura", "difícil", "ingrata". exº: "a vida tem-lhe sido madrasta".
fig.: mãe pouco afetuosa.
Sábado, Setembro 13, 2008
bruxa (Pt., Gz. e Br.)
a esse destino as condenou a Inquisição, trazida para a Península Ibérica por Fernando II de Aragão. o objetivo foi o de erradicar o sentimento e o pensamento pagão tradicionais, reduzindo tudo e todos a um só pensar e a um só sentir. no mesmo fogo arderam judeus e outras dissidências mais cultas e letradas, que deixaram relato de seu. mas as bruxas, que não sabiam ler nem escrever, não puderam deixar o relato heróico de suas provações e calvários.
às "bruxas" pintam-nas velhas e muito feias, magras, de queixo arrebitado e nariz adunco, montando uma vassoura voadora. não há pior metáfora do que passou a ser velho e caduco: a ordem tradicional, o matriarcado, as crenças populares, a medicina artesanal, a psicologia intuitiva, o transe terapêutico. os poderes de certas mulheres foram atribuídos a um pacto pessoal com o diabo, pelo que o seu destino só podia ser o fogo, à vista de todos. e a passagem de "bruxa" a adjetivo, com o significado de "velha feia, horrorosa e malfazeja".
mas, apesar do holocausto, a cultura popular sobreviveu até bem perto dos nossos dias. moribunda, já não inspira medo nem cuidado. já é possível organizar congressos, encontros e jornadas de feitiçaria, cultura e medicina populares, muito frequentados pela fina-flor da nossa cultura urbana.
é que, como diz o outro, yo no creo en brujas, pero que las hay, hay.
nota: sobre o tópico ver "meiga".
oxalá (Pt., Gz. e Br.)
exprime desejo de que algo pretendido aconteça. ver "quem dera!"
salamaleque
é a saudação de cortesia entre os turcos.
Sexta-feira, Setembro 12, 2008
fazer-se de novas
o significado sobrepõe-se, pelo menos em parte, à expressão "tirar nabos da púcara".
sumidoiro
na Galiza usa-se "sumidoiro" como sinónimo preferencial de "esgoto". exº: "a rede municipal de sumidoiros". mas tamém nos restantes sentidos da palavra.
Quinta-feira, Setembro 11, 2008
falangueiro (Gz.)
fazer orelhas moucas
do ponto de vista semântico, sobrepõe-se, pelo menos em parte, à expressão "fazer ouvidos de mercador".
tamém se diz: "a palavras loucas orelhas moucas", para significar que há coisas a que não se pode dar importância. o mesmo é dizer: "palabras tolas, orelhas xordas" (Gz.).
muito atual é o refrão "a falangueiros ditos, tapa os ouvidos" (Gz.), pois adverte para não nos deixarmos influenciar pelas falinhas mansas e boas falas.
sumir (Pt., Gz. e Br.)
derivados: "sumiço" (subst.) - desaparecimento; "levar sumiço" - desaparecer; "dar sumiço" - fazer desaparecer.
com esta postagem iguala-se o número de entradas de Toponímia Galego-Portuguesa e Brasileira, primeira das loucuras por onde me fiz viajante. a ideia comum é a de um serviço à comunidade da língua, pôr em contacto três povos com os mesmos adns, tantas vezes fáceis de dividir por sotaques, ortografias e microrregionalismos, mas, acima de tudo e apenas, pela falta de encontros e de reuniões periódicas e assíduas, onde se relembre, festeje, aprofunde e desfrute o património comum.
a internet, com a sua interatividade, é o lugar perfeito para o re-encontro.
Quarta-feira, Setembro 10, 2008
trinchar
prato
tamém se chama prato à variedade culinária que vai ser servida ou que pode ser escolhida de um cardápio ou menu.
e, ainda, há quem chame "prato" às antenas parabólicas.
garfo
colher, culher (Gz.)
a colher está presente em expressões como:
"entre marido e mulher não metas a colher" - significa que é errado, contraproducente e até perigoso tentar gerir racionalmente aquilo que, por natureza, é irracional e ambivalente.
"da colher à boca se perde a sopa" - significa que não se pode contar co ovo no cu da galinha, que uma coisa é prever e outra acontecer.
tigela
graf. altern. (Gz.): "tixela"
"de meia tigela": sem valor, medíocre.
tijola (Gz.)
na Galiza tamém se usa "tigela" com o mesmo significado.
graf. altern.: "tixola"
Terça-feira, Setembro 09, 2008
levar o carro à frente dos bois
entrar por um ouvido e sair por outro
ver Comentº de Calidonia.
fazer ver
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
agochar (Pt. e Gz.)
Sábado, Setembro 06, 2008
mulherio
mulherengo
personagens célebres, reais ou literárias, como Dom João, Casanova, Rudolfo Valentino, Carlos Gardel não tinham o perfil de predadores, embora se fizessem acompanhar de dúzias ou centos de mulheres.
é que, em boa verdade, o predador não acompanha nem se faz acompanhar das suas presas: caça-as. e as presas, por sua vez, fazem questão de ser caçadas personalizadamente, uma a uma e uma de cada vez. como se fosse primeira e última. única. isto é, como se, não sendo, fosse.
graf. altern. (Gz.): "mullerengo", "mullereiro".
tamém se diz do home casado que anda com outras mulheres
Sexta-feira, Setembro 05, 2008
capoeira
no Brasil, "capoeira" é tamém uma forma incomparável de dança acrobática e arte marcial desenvolvida pelos escravos negros. de notar que os escravos que chegavam no Brasil eram chamados de "galinhas", tendo esta designação deixado marcas na toponímia (Rio de Galinhas). no séc. XVII, as invasões holandesas desorganizaram a sociedade do litoral, dando azo a que muitos escravos fugissem para o interior. a eles se deu o nome de "negros capoeiras" ou "capoeiras". terá sido um desordeiro, um tal tenente João Moreira, o criador desta forma de luta, a qual passou aos capoeiras, que a aperfeiçoaram e desenvolveram.
barbeiro
tamém: "o [vento] frio que entra pela barba".
cieiro ou sieiro
a terminação -eiro indicia um adjetivo substantivado pelo uso: de "gelo", "geleiro", "geeiro", "gieiro"ou "xieiro".
está semanticamente relacionado com a expressão "está um frio de rachar".
Quinta-feira, Setembro 04, 2008
sair a
exº: "sai ao pai", "sai à mãe".
até se diz que "quem sai aos seus não degenera". e verdade será.
esta expressão não anda longe de outra: "de tal gente tal semente" (Pt. e Gz.).
senlheiro (Gz.)
pressupõe uma etimologia em singularium (lat.).
ver Comentº de "o" * à postagem "quem dera!"
graf. altern: senlleiro
Terça-feira, Setembro 02, 2008
levar e trazer
significa "cuscuvilhar", "bisbilhotar", "espiar".
há por aí muitos serviços de levar-e-trazer, mas este acaba por ser o mais divertido.
pode causar alguns estragos, mas é completamente grátis.
dar à língua
certo é que "dar à língua" faz espairecer e é uma atividade eminentemente saudável. e que, como dizia o povo:
"as mulheres cando se juntam
a falar da vida alheia
começam na lua nova
e acabam na lua cheia"
hoje as mulheres já não "dão à língua" como antigamente. estão mais parecidas cos homes. talvez por isso, enchem os consultórios de psicólogos, psiquiatras, psicanalistas e afins, "dando à língua" sentadas na cadeira ou deitadas no divã, pagando pra isso.
Segunda-feira, Setembro 01, 2008
quem dera!
significa "oxalá!", "assim fosse...", "tomara!", "antes fosse...", "Deus quisesse..."
está por "quem me dera", ou seja, "haja alguém que me dê o que eu preciso".
retranca (1)
"estar na retranca": estar à defesa, mostrar reserva ou prudência.
ver "retranca" (2) - postagem de 17 de julho de 2009.
falar pelos cotovelos
quem fala pelos cotovelos nem sempre fala acertadamente.
a origem da expressão talvez resida no costume da gente que fala muito gostar também de dar cotoveladas à medida que vai falando, como forma de reforçar o discurso, chamar a atenção, tornar impossível que não oiçam o que diz.
dor de cotovelo
...quem dera!
Domingo, Agosto 31, 2008
tagarela, taravela
a criança tagarela tem graça, o tagarela adulto é uma desgraça.
Sábado, Agosto 30, 2008
fazer de conta
fazer conta (Pt. e Gz.)
exº: "faço conta de ir" (Pt.)/ "fago conta de ir" (Gz.) - "estou a contar ir", "faço tenção de ir", "espero ir"
usa-se no Norte de Portugal e na Galiza
não é o mesmo que "fazer de conta".
Domingo, Agosto 24, 2008
aluir
o aluimento deve-se bastas vezes a infiltração de águas, rotura no subsolo ou falta de solidez dos alicerces.
a minha gente, que não é minhota, estranhou que eu dissesse que o talude de acesso norte à ponte nova da Figueira da Foz tinha aluído logo após a sua construção. e por isso aqui vai este post.
Sexta-feira, Agosto 22, 2008
debulhar (Pt. e Gz.)
Domingo, Agosto 03, 2008
pé
sobre o pé constrói-se um sem número de expressões ou ditos, dos quais sobressaem:
ajuntar os pés (Br.) - morrer
andar ao pé coxinho - saltar ou correr com um pé só
ao pé de - junto de, ao lado de
arranjar um pé - encontrar um pretexto
bater o pé - obstinar-se, teimar
com os pés para a cova - em estado de morte iminente, muito doente
com pés e cabeça - bem pensado, bem estruturado, bem organizado
com pezinhos de lã - sorrateiramente, sem alardes
conversa de pé de orelha - conversa confidencial, confidência
damos-lhe a mão, toma-nos o pé - abusa da nossa confiança
do pé para a mão - de um momento para o outro
em pé de guerra - em rebuliço
em que pé está - em que ponto ou fase está (um assunto ou negócio)
fazer finca-pé - teimar
lamber os pés - adular, bajular
meter os pés pelas mãos - atrapalhar-se, confundir-se, não dizer coisa com coisa
passar o pé - abandonar, ultrapassar
não ser chinela para o teu pé - não ser da mesma categoria social, intelectual ou moral para acompanhar, namorar ou casar contigo
não tem pés nem cabeça - é um absurdo, um disparate
pé ante pé - devagarinho, sorrateiramente
pé de cabra - instrumento de trabalho dos gatunos constituído por uma alavanca de ferro fendida numa das pontas. serve para arrombar portas
pé de chumbo - aquele que tem um andar pesado, lento, preguiçoso
pé de dança - folia, animação,
pé de meia - aforro, pecúlio, mealheiro
pé de prosa (Br.) - palestra, conversa
pé de vento - confusão
pé direito - altura do sobrado ao teto
perder o pé - perder a base, perder o apoio, perder o controle
pés de galinha - as rugas no canto externo dos olhos, sobretudo nas mulheres
ter os pés bem assentes no chão - ser realista, não embarcar em loucuras
ter pés para andar - ter viabilidade, ter possibilidades de concretização (um projeto, uma ideia)
Sábado, Agosto 02, 2008
bica
"chávena de café espresso" (Pt.). "a proa das dornas do Rio Minho". "pão de trigo achatado e comprido, com um bico em cada ponta". "cachoeira ou queda de água de fio único e estreito" (Br.).
expressões associadas:
estar à bica (Pt.) - "estar prestes a...", "estar na primeira linha para..."
suar em bica - "suar profusamente"
Sexta-feira, Agosto 01, 2008
pingo
expressões associadas:
não estar a tomar os pingos - "andar alterado dos nervos", "dizer ou fazer coisas sem nexo" (por ter deixado de tomar a medicação)
pingo de gente - "pessoa baixinha"
pinga
expressões associadas:
boa pinga - "um vinho agradável", "vinho bom"
cair umas pingas - "chover pouco"
gato pingado - "funcionário de agência funerária", "o encarregado de providenciar o bom decurso do enterro"
pinga amor - "namorado lamecha", "pessoa excessivamente amorosa"
pinga notas - "pessoa rica", "pessoa que gosta de exibir o dinheiro que tem"
sem pinga de sangue - "lívido", "pálido", "assustado de morte"
Segunda-feira, Junho 30, 2008
marinheiro
tamém como adjet.: "ligado ao mar", "relacionado com o mar", "dependente do mar".
graf. altern (Gz.): "mariñeiro", "maruxo".
Terça-feira, Junho 24, 2008
maré
é um privilégio das gentes ribeirinhas do mar poder observar esta fascinante relação entre a terra, a lua e o sol, afinal de contas a trindade astral que nos governa os ciclos e a mente.
o intervalo entre duas preamares é de 12 horas e 25 minutos, pelo que entre a preamar diurna de hoje e a preamar diurna de amanhã há um intervalo de 24 horas e 50 minutos. daí que se diga, aproximadamente, que a maré do dia de amanhã é uma hora depois da do dia de hoje.
as marés não têm todas a mesma intensidade. dependem das posições relativas do sol e da lua. desse modo, há marés vivas na lua cheia e na lua nova e há marés mortas no quarto crescente e no quarto minguante. isto quer dizer que o intervalo entre duas marés vivas, ou entre duas marés mortas é de, sensivelmente, 15 dias. se a maré viva ocorre nos equinócios, a intensidade da maré é ainda maior, pela presença do sol sobre equador da terra. daí chamarem-se marés vivas equinociais. nas latitudes europeias, ocorrem, habitualmente, em março-abril e em setembro-outubro. tamém há marés vivas equinociais se é a lua que está sobre o equador da terra. há outros ponteiros no relógio das marés, mas deixo isso para os especialistas do assunto.
"andar ao sabor da maré" - entregar-se ao acaso, á sorte
"estar de maré" - estar bem disposto
"há mais marés que marinheiros" - outra ocasião virá (se vier). não hão-de faltar ocasiões. (ver Comentº de Bell)
"maré de azar" - momento ou período em que tudo corre ou parece correr mal
"maré de rosas" - momento de felicidade, período em que tudo corre bem na vida
"maré de sorte" - momento ou período em que tudo corre de feição, ocasião propícia
e para utilizações figuradas da palavra, dando-lhe o significado de "ocasião", "oportunidade", "momento", em que se pressupõe algum caráter cíclico, alternável e efémero.
e, ainda, no sentido de movimento massivo, como "multidão", "grande quantidade"
o engenho humano tem aproveitado a força das marés para vários fins. os moinhos de maré são uma dessas criações.
mas o nosso tempo trouxe outras marés. negras. os galegos que o digam.
maresia
variante (Gz.): "maruxia"
Segunda-feira, Junho 23, 2008
marulhar
"marulhar" (subst.) é o "ruído das ondas do mar", ou melhor: "a música do mar".
Quarta-feira, Junho 18, 2008
grelha (Pt., Gz. e Br.)
fig.: "cadeia", "prisão", "lugar com grades".
é, tamém, uma forma de fingir que se trata por igual todos os candidatos num concurso público, introduzindo no "quadro", "tabela", "esquema" ou "perfil" o critério do "sapatinho de cristal": concorrem todas as donzelas mas só ganha a Gata Borralheira.
graf. altern. (Gz.): "grella"
grelo (Pt., Gz. e Br.)
Segunda-feira, Junho 02, 2008
rilhar
rilha-boi (Pt.): planta silvestre leguminosa usada na medicina popular
rilha-cacos: insatisfeito, resmungão
rilha-chavos (Gz.): "avarento", "mesquinho", "tacanho"
Rilhafoles (Pt.) : convento oratoriano fundado em 1717, nacionalizado em 1834 e transformado em 1848 num manicómio, conhecido hoje por Hospital Miguel Bombarda. ao que julgo saber, o nome é de origem toponímica, designando um lugar próximo do Campo de Santana, em Lisboa. não me caiem os parentes à lama se alguém me explicar a origem deste nome.
graf. altern. (Gz.): "rillar"
zaragata
"zaragata" (subst. fem.) é um "desentendimento violento entre várias pessoas", "confusão/om", "desordem", "pequeno motim", "tumulto". quem nos ensinou esta palavra foram os castelhanos, pelo que é de supor que nisto de zaragatas eles conseguem ser ainda melhores do que nós (Gz., Pt. e Br).imagem: blog.uncovering.org
Sábado, Maio 31, 2008
tribuna, tribuno, tribunal
"tribuno" (subst.) era o guia, chefe ou dirigente da tribo, cada uma das três partes do povo romano. exercia o seu cargo durante um determinado período, chamado "tribunado" ou "tribunato". superadas as tribos, "tribuno" passou a designar o "defensor dos direitos e dos interesses do povo". como se terá habituado a falar mais do que a fazer, "tribuno" passou a designar o "orador eloquente e popular", o "demagogo" - à letra: "o que leva o povo (atrás de si)"."tribuna" (subst. fem.) era o lugar elevado, ou púlpito, usado pelos tribunos para falar à sua tribo. na Praça Vermelha, em Moscovo, ainda lá está o "lóbnoye myéstô" (fig.), um pequeno púlpito de pedra de onde os chefes, mais tarde os czares, falavam à multidão. hoje, "tribuna" é o lugar de onde falam os oradores, ou o palanque ou varanda onde se instalam as forças vivas do povo para assistir a desfiles, paradas, procissões ou manifestações folclóricas. originariamente, tribuna vem de tribunal, por apócope ou queda do l final - o que parece pressupor uma tónica grave, ou paroxítona.
"tribunal" (subst.) era o lugar em que se sentavam os tribunos ou chefes das três tribos de Roma. depois, passou a designar o estrado semicircular onde se sentavam os magistrados. depois, o conjunto dos magistrados e, agora, o lugar, o edifício ou a sala onde se debate e julga as questões de Direito.
imagem: Lobnoe Mesto , in: elpelao.com
tribo
"tribo" (subst. fem.), vem do lat. tribus, "a terça parte do povo romano" . por "tribo" entende-se "um conjunto de famílias com origem num tronco comum e que vivem numa mesma região". é, tamém, "cada uma das partes que formam um povo". "conjunto de clãs".as tribos quanto mais chegadas mais desgarradas. cada uma é o centro do mundo. e mesmo antes de se zangarem umas coas outras já vendem a alma ao diabo por superar as vizinhas. falam a mesma língua mas fingem que nom se entendem. o seu particularismo e o seu dialeto ou subdialeto são a Realidade e a Língua por excelência. são o mesmo grande povo mas metem-se debaixo do primeiro inimigo que lhes pareça forte o suficiente pra mandar em todas ou nelas próprias.
cando superaremos os nossos tribalismos?
imagem: www.peruvianembassy.us
Sexta-feira, Maio 30, 2008
atrancar
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apontar a grafia alternativa não indicia qualquer tipo de posição sobre a questão do Galego. essa indicação, onde existe, é uma forma de facilitar a leitura de textos galegos a quem não sabe que, com uma grafia ou com outra, a pronúncia é a mesma.
Quinta-feira, Maio 29, 2008
empancar (Pt-n)
aplica-se a máquinas, aparelhos ou sistemas.
exº: "o meu carro empancou". "o rádio empancou", "a máquina de lavar empancou", "o blogue empancou".
embora não encontre este sentido do verbo nos dicionários - ou eu não tenha o dicionário onde o encontre -, ele é usado correntemente no Entre-Douro-e-Minho - pelo menos.
noutras aceções, encontra-se "empancar" com o significado de "obstruir", "vedar", "atravancar", "embarrar".
imagem: dn.sapo.pt
Quarta-feira, Maio 28, 2008
ralar
há o "pão ralado" e a "cenoura ralada", por exemplo.
tamém pode significar "importunar", "afligir", "atormentar alguém".
"ralar(-se)" (verb. r.) significa "preocupar-se", "afligir-se", "inquietar-se".
expressões: "não me vou ralar co isso": não vou dar importância, não me vou incomodar co isso
" f. é um não-te-rales": é um indolente, um preguiçoso; é uma pessoa calma, tranquila, sem stress.
na Galiza pode haver alguma confusão com "ralhar", embora distingam os dois grupos de significação.
tamém por cá (Pt.) se ouve "relar" por "ralar". mas depois a variante "relar" empanca nas flexões do verbo.
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uma nota: este blogue não segue nenhum livro ou guia de referência. os livros fazem-se a partir do real, nom é a realidade que se faz a partir dos livros. é por isso mesmo que este blogue cá está. e é isso que o livra de ser um blogue inútil.
nom dou lições sobre a língua galega. os galegos, portugueses e brasileiros é que me ensinam a mim. e assim lhes pago.
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Terça-feira, Maio 27, 2008
ralhar
"ralhar" significa "repreender em alta voz", "berrar", "barafustar", "descarregar os humores em cima de alguém, em alta voz e com maus modos", "censurar desmesuradamente", "criticar", "ameaçar aos berros", "importunar", "molestar com berros e maus modos".
refrão: "casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". mas tamém há o outro: "casa que não é ralhada nom é bem governada". o que espelha bem a nossa vontade de ralhar pela primeira razão que nos der jeito.
quem ralha comporta-se à maneira dos primatas antropóides, como o gorila, que mete medo co medo que tem.
bom, vocês sabem, nisto de afetos, a coisa dá para onde menos se conta. há terras, sobretudo no sul de Portugal, onde "ralhar" significa "cavaquear", "conversar", "bater um papo legal", "conversar amenamente". aí eu não me importaria de ralhar ou ser ralhado.
graf. altern. (Gz.): "rallar"
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grande berreiro vai no Chuza! por via desta postagem. que é Galego, que nom é, afinal que sim.
não entenderam o blogue. que nom fala de "Galego", de "Português", ou "Brasileiro", sei lá. este é um blogue da nossa Língua comum. o que nom há numa beira pode haver na outra. e ficamos todos mais ricos. nom entro em bairrismos, regionalismos e particularismos. isso pertence ós etnólogos, antropólogos, folcloristas e assim. uma aperta a Calidonia.
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imagem: soliletras.wordpress.com
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Sábado, Maio 24, 2008
manifesto galego pela Língua
Manifesto da Associaçom Galega da Língua (AGAL) polos direitos lingüísticos individuais e colectivos dos galegos:1.- Denunciar as políticas de substituiçom lingüística que levamos sofrendo durante os últimos 25 anos, disfarçadas de falsa normalizaçom lingüística.
2.- Exigir o reconhecimento da condiçom internacional da nossa Língua, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo, quer como língua nativa, como é o caso dos galegos, quer como língua oficial de oito Estados, ou como língua cada vez mais estudada em todo o mundo polas vantagens das línguas internacionais.
3.- Denunciar as autoridades e administrações públicas que, em vez de garantirem os direitos lingüísticos e democráticos do Povo galego, discriminam e perseguem aqueles que nom aceitam a deriva de substituiçom lingüística e dialectizaçom castelhanizadora do Galego que o torna desnecessário no seu próprio País.
4.- Apoiar a iniciativa aprovada no Parlamento por unanimidade reclamando a recepçom das rádios e televisões portuguesas na Galiza, que pedimos que se efective desde já e que nom fique numha simples declaraçom sem vontade real de a levar a cabo.
5.- Denunciar também os grupos extremistas que, protegidos por certos sectores políticos, atacam o direito e a liberdade de vivermos na Galiza em galego.
6.- Finalmente, apelamos a toda a sociedade para exigir umha mudança das políticas que tornam a Língua desnecessária e dialectal, como forma de impor o uso do castelhano, por políticas que garantam os nossos direitos lingüísticos individuais e colectivos, assegurando que o Galego continue a ser umha língua extensa e útil.
berro
"berro" (subst.) significa "grito", "brado", "som instantâneo, penetrante e forte, seja de pessoa ou de animal"."berro" e "grito" são sinónimos, se bem que "berro" seja um grito mais animal, mais provindo das forças da natureza que temos dentro de nós. por isso, entre "O Berro de Munch" - como dizem os galegos - e "O Grito de Munch" - como se traduz por aqui -, prefiro o "Berro".
expressão derivada: "dar o berro" (Pt.): "acabar", "morrer", "avariar sem conserto possível".
nome do quadro de Edvard Munch em Norueguês. "Skrik" ("berro", "grito")
berrar

"berrar" (verb.) significa "gritar", "falar muito alto", "bradar", "levantar a voz acima do que é costume", "chorar intensamente, como as crianças". "cantar demasiado alto". "ralhar", "discutir" (as mulheres umas coas outras, os homes coas mulheres e umas e outros cos filhos). ver Comentº de Caperuzita.
embora berrar seja uma estratégia eficaz para a criança obter aquilo que quer, há o refrão que nos diz: "ovelha que berra bocado que perde".
Quinta-feira, Maio 15, 2008
alcunha
Alemão
Aranha
Arroba
Arrobas
Bacalhau
Banaco
Barata
Batata
Batateiro
Bem-Haja
Bezerra
Bicho
Bicudo (Aç.)
Bispo
Boa-Alma
Boavida
Bom
Bomtempo ou Bontempo
Borrego
Botas
Branco
Branquinho
Cabaço
Cabeça-Negra - em Alemão existe sob as formas Schwartzkopf e Schwarzkopf
Cabrita
Caçador
Cação
Caiado
Cambalhota (Br.)
Camelo
Canário
Caraça
Caracol
Carpinteiro
Carriço
Caseiro
Catorze - ver Quatorze
Cavaco
Ceboleiro (Gz.)
Charrua
Coelhinho
Coelho
Comprido
Contente
Cravo
Curto
Delgado
Ervilha
Escumalha - por incrível que pareça, conheço gente com este sobrenome oficial. terá sido castigo?
Espadeiro
Esparteiro
Estreito
Faneca
Feijão
Ferreiro (Gz.)
Figo
Formiga
Gago
Gordo
Grilo
Lampreia
Laranjeira
Laranjeiro
Laranjo
Leão
Leitão
Ligeiro
Lindeza
Linheiro
Magro
Malheiro
Malva
Manata
Marceneiro
Matadinho
Melancia
Meleiro
Milheiro
Mil-Homens
Mineiro
Moleiro
Monteiro
Nabeiro
Nabinho
Nabo
Pachancho
Panão
Paneira
Pardal
Patacas
Pato
Pé-Curto ou Pècurto
Peixe
Peixinho
Peixoto
Pelicano
Penetra
Perfeito
Pestana
Pimenta
Pimpão
Pinto
Pisco
Pombas
Pombo
Preto
Quadrado
Quatorze
Queimadela
Queimado
Querido
Rambudo (Br.)
Raposo
Rasteiro
Rato
Redondo
Robalo
Rola
Rosa
Rouxinol
Ruivo
Salgado
Sanhudo
Sapateiro
Sardinha
Seguro
Seis-Dedos ou Seisdedos (Pt., Gz. e Le.)
Todo-Bom
Tourinho ou Touriño (Gz.)
Touro
Videira
Videiras
Vilão
Vinagre
Vinagreiro
Violas
outras alcunhas, mais arbitrárias, pessoais ou injuriosas, morrem com o dono:
Abelhinha
Baião (Br.)
Barbas
Bareja - ver Vareja
Barriga-de-Chumbo*
Bebe-Água - em Itália existe o sobrenome Bev'Acqua
Besunta
Bigodes
Bin Laden (Br.) - por ser muito parecido com o original
Biriba (Br.) - ver Comentº Alacazum
Bolinha-de-Sabão* (Pt.)
Borrega*
Bucha
Cagalhona ou Caghallona* (Gz.)
Caga-Libras
Caga-no-Paninho ou Caghanopaniño (Gz.)
Caga-Tacos
Caga-Tosse
Capa-Porcas
Caramuru (Br.)
Carôcho
Carriça*
Cascarravias
Cascavel (Br.)
Catatua
Cebola
Cèguinho
Cento-e-Vinte - ver Comentº de Nóbrega
Ceroulas (Pt. e Br.)
Charuto
Cheio-de-Sono - por parecê-lo
Cheira-Dinheiro
Chico-Moleza (Br.)
Chico-Triste (Br.)
Chito
Chòpinhas
Chupeta (Br.)
Ciroilas - variante de "Ceroulas"
Coça-na-Vrilha
Come-e-Dorme - por não fazer mais nada
Corta-Pano - este era alfaiate/sastre
Cova (Br.) - ver Comentº de Alacazum
Coveiro
Cu-de-Chumbo
Cu-de-Lobo
Cu-de-Pato
Diabo - porque tinha um feitio excessivo, tanto para brincar como para a zaragata
Escalda-Ferros - este era ferreiro
Fuínha
Gaga*
Galega*
Gavião - alguém que é calado mas vê tudo
Gira
Grelhas - ver Comentºs
Javardo
João-Nhá-Mãe (Br.)
Labita
Labreca
Lampião
Lapachana
Lesma
Lula (Br.)
Macaco - ver Comentºs
Manca-Mulas
Manel-do-Laço
Maneta
Mão-de-Pilão
Mão-Morta
Marmita
Marreca*
Marreco
Mata-Burros
Mata-Carneiros
Mata-Cristos
Meia-Bola
Meia-Dose - designa um homem de baixa estatura
Meia-Foda - designa um homem de baixa estatura
Meia-Leca - designa um homem de baixa estatura
Meio-Quartilho
Melra* - designa uma mulher muito feia
Merdas
Môcho
Morr'-ó-Sol
Mosca-Morta
Muda*
Mudo
Nhonhas - forma aferética de Panhonhas?
Padreco
Padre-Nosso
Padre-Santo
Pai-Home - por ser pai de um neto
Panhonha - por ser "desajeitado", "atado", "lerdo", "sem despacho"
Panhonhas - ver Panhonha
Papa-Notas
Pata*
Patacão
Pé-Leve
Pica - por ter um nariz comprido, em forma de picareta
Pica-Pau
Pichas
Pinguinhas
Pirata
Pirrêta
Poi'não - por dizer muitas vezes "pois não"
Pombinha* - por ter um jeito de andar aos saltinhos, como as pombas
Porqueira - por levar o porco a visitar as porcas da região
Portanto - por estar sempre com o "portanto" na boca
Ratão
Repolho
Ruço
Sabiá (Br.)
Sapo-Concho
Sem-Ossos - por levar tanta pancada que os tinha todos moídos
Sobe-e-Desce - conheci um que era coxo e bêbado, pelo que subia e descia pelas duas razões
Sono
Tachas
Taínha
Tem-Sede - dizem que morreu com ela
Tòla
Tonho-Torto (Br.)
Três-Missas
Trinta
Troca-o-Passo
Vareja
Vint'óito
Zarolho
Zé-da-Banana - ver Comentºs
Zé-da-Porra
Zé-do-Caixão (Br.)
Zé-Gato
Zé-Rodinha (Br.)
graf. altern. (Gz.): "alcuña".
coexiste na Galiza com "alcume" (ver Comentº de Ictioscópio).
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* alcunhas femininas. as alcunhas femininas correspondem habitualmente a mulheres solteiras (já fora da idade de casar) ou sem ligações familiares.
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(sobre alcunhas, nomes, sobrenomes e apelidos de origem geográfica, ver aqui).























































